Angus
DATA: 09/04/2016

Abate de angus certificado cresceu 21% em 2015

A expectativa da Associação é manter a taxa de crescimento em 20% ao ano e chegar a 1 milhão de cabeças até 2020 Naiara Araújo (naiara@sfarming.com.br)

Antes com pouco espaço no mercado nacional, a produção de angus vem crescendo no Brasil. Nos últimos anos, houve um avanço significativo na seleção de touros e no consumo da carne da raça, embora a Associação Brasileira de Angus (Aba) não tenha dados da participação de bovinos angus no rebanho brasileiro. Em 2015, foram abatidos 400 mil animais certificados, um aumento de 21% na comparação com 2014, quando foram abatidas 330 mil cabeças.

 

A expectativa da Associação é manter a taxa de crescimento em 20% ao ano e chegar a 1 milhão de cabeças até 2020. “É uma meta arrojada, mas factível”, afirma Fábio Medeiros, gerente do Programa Carne Angus. “A expansão do Programa Carne Angus está alicerçada em um projeto sólido construído ao longo de mais de uma década e que vem colocando os criatórios da raça entre os mais lucrativos do País.”

 

Heitor Pinheiro Machado, gerente da Casa Branca Agropastoril, que atua na produção e seleção de bovinos das raças angus, brahman e simental, diz que o angus não é melhor agora do que era há alguns anos, mas o que avançou foi a popularização no Brasil. Segundo ele, essa divulgação foi mais rápida do que se esperava.

 

Machado acredita que a qualidade dessa carne já esteja bem difundida nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, mas o verdadeiro desafio é popularizar essa carne nas demais regiões e garantir uma maior produção para elevar a oferta no mercado doméstico. “Tem muito mercado interno para carne de qualidade, mas sempre vai ter concorrência com o mercado externo, principalmente em condições de valorização de dólar”, diz. Além disso, segundo ele, há dois mercados distintos: a carne commodity e a carne com valor agregado. No caso da segunda opção, a carne de qualidade superior tem muito espaço para conquistar ainda.”

 

Carne de qualidade é valorizada no cardápio brasileiro

Uma das razões que incentivou a valorização desse nicho da pecuária foi o lançamento do programa Carne Angus Certificada, que nasceu a partir da parceria entre a Aba e alguns frigoríficos com o objetivo de produzir carne de alta qualidade. Os produtores de angus que participam do programa são motivados com uma remuneração até 20% maior quando comparada com outras raças bovinas.

 

Em momento de crise econômica, o poder aquisitivo do brasileiro não colabora com o consumo de carnes nobres. Para Machado, a melhora do consumo de carne vai depender dos rumos da economia brasileira. “Eu vejo que o brasileiro está começando a aprender a comer carne, a diferenciar o sabor e valorizar os cortes nobres”, diz Heitor Pinheiro Machado, gerente da Casa Branca Agropastoril. “Se você falar que o brasileiro tem poder aquisitivo para comer carne de qualidade, em dois ou três anos o pecuarista faz. A produção consegue acompanhar a demanda do mercado.”

 

Um importante passo para a popularização da carne angus foi a parceria entre a Aba com a rede de fast food Mc Donald’s, que teve início em 2011. Hoje, a lanchonete já tem duas opções de sanduíche com o a carne em seu cardápio, o Angus Deluxe e o Angus Bacon. “Essa foi uma sacada de marketing violenta da associação, porque a carne angus passa a estar ligada com uma marca extremamente forte mundialmente”, diz Machado. “Eu não sei o fluxo de pessoas no Mc Donald’s, mas todo mundo que chega no caixa e olha para cima vê o nome angus.”

 

Atualmente, a Casa Branca Agropastoril produz 300 touros por ano. Desse total, 40% são Simental, 30% Angus e 30% Brahman. Em dois anos, a expectativa é alcançar a produção de 500 reprodutores por ano, com um aumento na presença da raça angus, que deve ser representada por cerca de 250 animais, ou seja, metade dos touros comercializado pela empresa. “A procura pelo mercado de angus é enorme”, afirma Machado. “Nós vendemos 100 touros Angus no ano passado, se tivéssemos 300, 400 e até 500 tínhamos vendido.” Segundo ele, o mercado não estava preparado para o avanço da raça, essas mudanças foram mais rápidas do que o setor imaginava. Em 2015, os animais foram comercializados com preço médio de R$ 11 mil. “O mercado de touro é reflexo do ganho do pecuarista. Recebendo bem pelo abate, ele tem interesse em melhorar o rebanho”, afirma Machado.

 

Aumento na vendas de sêmen angus

Um exemplo de expansão do setor é a participação do angus na venda de sêmem no Brasil, que já ultrapassou a venda de sêmen da raça nelore. Machado diz que se qualquer um falasse isso há cinco anos, ninguém levaria a sério. Em 2014, foram vendidas 3.877.994 doses de sêmen angus, o maior desempenho entre todas as raças. Segundo José Roberto Pires Weber, presidente da Associação Brasileira de Angus, o setor está otimista e a previsão é que a raça tenha ultrapassado a casa dos 4 milhões de doses em 2015. De acordo com Weber, há um claro amadurecimento da genética Angus no Brasil, o que mostra que os pecuaristas estão percebendo que, para produzir carne de qualidade, é preciso optar por cruzamentos certeiros. “O cruzamento com a Angus é a forma de atingir esse objetivo”, diz o presidente.

 

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