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Cooperação internacional cria projeto de boas práticas para a carne

Medidas podem elevar produtividade, reduzir emissões de gases de efeito estufa (GEE) e gerar economia de US$ 1 bilhão

Superar as ineficiências na cadeia da carne bovina do Brasil poderia economizar centenas de bilhões de dólares em custos de energia e evitar bilhões de toneladas de emissões de GEE. Um relatório lançado nesta terça-feira (12/04) descreve como um programa para implementar boas práticas na cadeia de carne bovina, da pecuária ao varejo, poderia economizar US$ 1 bilhão em custos de energia e reduzir as emissões de GEE em pelo menos 16 milhões de toneladas de CO₂, uma quantidade similar ao total de emissões anuais da Bolívia.

 

O programa foi concebido por especialistas internacionais do Carbon Trust, consultoria de estímulo à economia de baixo carbono, e financiado pela Embaixada Britânica em Brasília (DF). A iniciativa teve o apoio do Ministério da Agricultura (MAPA), Ministério do Meio Ambiente (MMA) e do Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES), além da indústria local, instituições especializadas e ONGs.

 

“A cadeia da carne bovina desempenha um papel importante na economia brasileira, mas é também a maior colaboradora para o impacto do nosso país sobre as mudanças climáticas. Felizmente, existe uma série de medidas conhecidas que reduzem os impactos e emissões causados ao longo desta cadeia e, ao mesmo tempo, trazem benefícios econômicos, como o aumento de produtividade e a redução de custos energéticos em cada subsetor”, diz João Lampreia, gerente do Carbon Trust no Brasil. “Com a colaboração de uma série de instituições brasileiras, montamos um programa para prover conscientização, financiamento e assistência técnica adequada a uma amostra da cadeia produtiva”, afirma Lampreia.

 

Oportunidades

O programa identificou as principais oportunidades em todos os cinco subsetores da cadeia de fornecimento: criação de gado, transporte de animais vivos, instalações de processamento de carne, transporte refrigerado e varejo de alimentos. A consultoria está agora tentando assegurar US$ 120 milhões em financiamento internacional e contrapartidas locais para implementar o programa. “Nossos cálculos mostram que, com recursos da ordem de US$ 120 milhões, podemos trabalhar com amostras significativas de todos os subsetores da cadeia e gerar uma economia de US$ 1 bilhão, além de evitar emissões de pelo menos 16 milhões de toneladas de CO₂”, afirma Lampreia.

 

Soluções

De acordo com Lampreia, fornecedores de gado por exemplo, podem recuperar e manejar suas pastagens adequadamente e integrar a pecuária à lavoura e florestas plantadas, permitindo que mais animais sejam criados em menos espaço e em menos tempo, facilmente dobrando a produtividade média observada no Brasil. Empresas podem introduzir caminhões e rotas mais eficientes para economizar combustível, enquanto frigoríficos podem melhorar sua geração e utilização de calor para reduzir suas contas de combustíveis e eletricidade.

 

Produção

Hoje o Brasil produz mais de 10 milhões de toneladas de carne por ano, gerando mais de R$ 50 bilhões (US$ 13 bilhões) em receita. O governo pretende aumentar para 13,6 milhões de toneladas até 2020, já que este é um dos setores econômicos mais importantes do país. Embora a carne bovina seja uma das exportações mais significativas do Brasil, apenas um quinto da produção total vai para o exterior, com níveis muito elevados de consumo interno.

 

No entanto, apesar da sua relevância econômica, a produção de carne tem um impacto ambiental muito alto. Atualmente, a pecuária é diretamente responsável por 17% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil. Indiretamente, o setor também é responsável por uma grande parte do desmatamento e degradação da terra contínuos, que respondem por mais de 24% do impacto do país sobre as mudanças climáticas. A cadeia de abastecimento de carne é, portanto, responsável por mais de 40% do impacto total do Brasil sobre as mudanças climáticas.

 

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