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Cooperação Brasil-Estados Unidos tem como estratégia crescimento do etanol

Fortalecimento da parceria garante possibilidade de crescimento do mercado de etanol avançado

O desenvolvimento de um mercado global de biocombustíveis avançados depende do fortalecimento da parceria entre o Brasil, fornecedor do etanol de primeira geração (1G) mais sustentável do mundo, e os Estados Unidos, maior importador do produto brasileiro, classificado como avançado segundo o Padrão de Combustíveis Renováveis existente naquele país. Esta foi uma das mensagens-chaves que a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina levou ao Senado americano, em Washington, na última quinta-feira (17/03). A presença da entidade na capital americana só foi possível graças à parceria com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) no projeto Brazilian Sugarcane Ethanol, que busca impulsionar as exportações do etanol brasileiro.

 

Participando do evento “RFS Reform: An Advanced Conversation”, que reuniu aproximadamente 60 pessoas, a maioria assistentes legislativos e representantes da indústria de combustíveis nos EUA, a executiva da UNICA enfatizou a importância do etanol de cana para a redução das emissões americanas de gases de efeito estufa (GEEs). “Devido ao seu alto poder de mitigação de GEEs, o etanol brasileiro apresenta um desempenho comparável aos biocombustíveis de segunda geração (2G). Isso significa dizer que produto brasileiro sempre terá um papel muito relevante, principalmente na categoria dos biocombustíveis avançados”, afirmou.

 

Segundo o presidente da Associação de Biocombustíveis Avançados (ABA, em inglês), Mike McAdams, o crescimento de um mercado para os avançados necessita de uma regulamentação mais clara por parte do Governo dos EUA, que deveria conceder mais espaço ao biocombustível canavieiro em sua matriz energética. O balanço energético do etanol brasileiro, ou a proporção entre a energia fóssil utilizada para produzi-lo e a energia contida no combustível produzido, é altamente positivo.

 

São nove unidades de energia renovável para cada unidade de energia fóssil utilizada na produção. De acordo com o World Watch Institute, esse índice é cerca de quase cinco vezes superior ao etanol produzido a partir do milho nos EUA. Considerando este cenário, a ONG National Wildlife Federation, presente no evento realizado em Washington, criticou os dados que mostram a expansão do milho nos EUA. Segundo a instituição, é necessário um ajuste de políticas públicas para diminuir os impactos causados pela expansão da cultura do milho na produção de etanol.

 

Outro ponto de destaque do encontro foi a posição defendida pelo Instituto Americano de Petróleo (API, em inglês), que declarou ser a favor da extinção do programa de biocombustíveis nos EUA ou de uma completa reforma do mesmo, especialmente no que se refere à mistura de 15% de etanol à gasolina (E15).  Segundo o posicionamento da entidade, o E15 causaria danos aos motores dos veículos. O professor da Universidade de Harvard, Jim Stock, ex-integrante do Conselho Econômico do presidente Barack Obama, perguntou a Farina como é o exemplo de alta mistura no Brasil. A presidente da UNICA rebateu os argumentos da API, e discorreu sobre os programas E27 e E100 no Brasil.

 

Para atestar a viabilidade destas duas misturas usadas por quase toda a frota de automóveis nacionais, a executiva fez um relato minucioso sobre os diversos testes feitos em laboratório e nas estradas brasileiras. Os estudos, conduzidos pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), foram auditados pelo Ministério de Minas e Energia (MME). Farina também foi indagada a respeito da infraestrutura de utilização do etanol no Brasil, e explicou que o biocombustível sucroenergético – hidratado e anidro – pode ser encontrado em mais de 38 mil postos de combustíveis espalhados pelo País.

 

EPA

Durante a sua passagem pelos EUA, a presidente da UNICA também esteve na Agência de Proteção Ambiental americana (Environmental Protection Agency – EPA), onde se reuniu com os técnicos responsáveis pelo gerenciamento do Padrão de Combustíveis Renováveis (Renewable Fuel Standard – RFS), conjunto de regras que determina quais são os volumes de etanol de cana consumido nos EUA. “A despeito das dificuldades econômicas vividas pelo Brasil e, consequentemente, pelo segmento sucroenergético, procurei mostrar que somos um setor forte e inovador, tivemos safra e produção recordes, que atendemos um mercado cuja demanda por etanol cresceu incríveis 37%”, ressalta.

 

Questionada sobre a atual produção de etanol 2G brasileiro, a executiva deixou claro a disposição dos produtores brasileiros em continuar investindo na tecnologia e em exportar o produto para os EUA. “Reiteramos nosso interesse de manter a relação cordial e exitosa, deixando claro que esperamos que o papel da cana continue importante dentro do RFS, principalmente por meio de um sinal claro de política pública nesse sentido. E eles sinalizaram que continuarão, sim, contando conosco” conclui Farina.

 

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