Produção de leite
DATA: 27/09/2016

Com maior oferta de leite e menor consumo, preço pago ao produtor recua

Conseleite anunciou redução de 16% nos valores de referência para este mês, o que significa diminuição de R$ 0,19 a R$ 0,24 por litro

Em julho, a acentuada escassez de leite no mercado brasileiro pressionava para cima os preços que as indústrias de lácteos pagavam aos produtores rurais catarinenses. Em setembro, a situação se inverte: a oferta aumenta e o consumo cai. Retratando essa situação baixista, o Conselho Paritário Produtor/Indústria de Leite do Estado de Santa Catarina (Conseleite) anunciou nesta semana uma redução de 16% nos valores de referência para este mês, o que significa diminuição de 19 a 24 centavos/litro sobre os preços do mês anterior.

 

O Conseleite reuniu-se em Joaçaba e projetou assim os valores para este mês: leite acima do padrão recua 24 centavos e vai para R$ 1,2775 o litro; leite padrão baixa 21 centavos para R$ 1,1109 e leite abaixo do padrão cai 19 centavos para R$ 1,0099.

 

O presidente do Conseleite e também vice-presidente regional da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de SC (FAESC), Adelar Maximiliano Zimmer, observa que a maior oferta de leite nos laticínios é resultado da melhora das condições climáticas que afetaram diretamente o mercado de lácteos no sul e no centro-oeste brasileiro. Entretanto, a demanda por derivados lácteos está retraída. “A perda do poder de compra de consumidores na atual conjuntura econômica do País e o elevado patamar de preço dos derivados afastaram consumidores”, observa o dirigente.

 

Preços da matéria-prima

O Centro de Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada) da Esalq/USP apurou que, nesse cenário, indústrias relatam que teriam chegado ao limite do repasse de preços da matéria-prima ao derivado para o consumidor final. Para setembro, 54,5% dos representantes de laticínios/cooperativas consultados pelo Cepea, que representam 70,5% da amostra, têm expectativa de queda nos preços. Entre os entrevistados, 32,7% acreditam em estabilidade nos preços do leite em setembro e somente 12,7% esperam alta. Com a demanda enfraquecida e estoques nas indústrias, atacadistas consultados pelo Cepea acreditam em novas quedas nos preços dos derivados, cenário que pode refletir nos valores pagos aos produtores.

 

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