DATA: 22/10/2015

CNA e FAO discutem aumento da produção agropecuária e segurança alimentar

Na parte de sustentabilidade, um dos pontos defendidos pelos dois dirigentes é o uso de mais tecnologias para ampliar a produção

O presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), João Martins, propôs ao representante da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) no Brasil, Alan Bojanic, uma parceria entre as duas instituições para ajudar a erradicar a fome e a pobreza especialmente no campo. No encontro, realizado nesta quarta-feira (21/10), na sede da CNA, em Brasília, eles discutiram o papel do setor agropecuário para superar estes desafios, diante do crescimento da população mundial, que será de nove bilhões em 2050.

 

“A CNA tem tudo a ver com o trabalho da FAO, pois somos produtores de alimentos”, enfatizou Martins. “Abrimos um diálogo para ter uma cooperação mútua com a FAO, visando sempre o desenvolvimento econômico, social e ambiental”, completou o vice-presidente diretor da entidade e presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de Goiás (FAEG), José Mário Schreiner. No encontro, o presidente da CNA relatou alguns projetos desenvolvidos pela CNA e Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR) convergentes com os objetivos da FAO, baseados em pilares como a produção sustentável, proteção do meio ambiente, inserção social, aumento da produção e produtividade e segurança alimentar.

 

O representante da FAO no Brasil também sinalizou positivamente para a formalização desta parceria a partir da cooperação mútua entre as duas instituições e destacou o trabalho do SENAR. “O SENAR tem larga experiência e uma ótima metodologia. Podemos sim criar essa sinergia”, afirmou Bojanic. João Martins lembrou que a CNA vem trabalhando para ascender, em um primeiro momento, 500 mil produtores rurais à classe média brasileira, a partir de programas de assistência técnica e extensão rural. “Nas últimas décadas, 30 milhões de pessoas nas cidades migraram para a classe média, o que não aconteceu no meio rural”, relatou.

 

No Brasil, cerca de 3,2 milhões de produtores rurais produzem para sustento próprio, sem gerar excedentes de produção para comercialização. A CNA avalia que esse universo de pessoas é classificado como “moradores rurais” e não produtores. Uma das alternativas para mudar essa realidade é fazer com que a assistência técnica e a extensão rural cheguem ao campo, alcançando um número cada vez maior de propriedades, a partir do trabalho desenvolvido pelo SENAR visando promover maior inserção social no campo. “Hoje 85% dos nossos produtores produzem muito pouco”, complementou José Mário Schreiner.

 

Na parte de sustentabilidade, um dos pontos defendidos pelos dois dirigentes é o uso de tecnologia para ampliar a produção e a produtividade sem a necessidade de abrir novas áreas, uma vez que o Brasil possui terra suficiente para este objetivo. Neste contexto, uma das ações feitas pelo Sistema CNA/SENAR é o Programa ABC Cerrado, que tem difundido técnicas de produção sustentável. Outra questão abordada foi o uso racional da água. A entidade também defende o aumento do potencial de irrigação no país. Hoje, apenas seis milhões de hectares são utilizados para esta finalidade, o que representa apenas 20% da área total potencialmente irrigável no Brasil, e apenas 10% da área total de produção de grãos e fibras. Países como o México usam 90% do potencial de irrigação.

 

Participaram do encontro: o vice-presidente de Finanças, Eduardo Riedel (MS), o secretário-executivo do SENAR, Daniel Carrara, o presidente do Instituto CNA, Roberto Brandt, o presidente da Comissão Nacional de Meio Ambiente da CNA, Rodrigo Justus de Brito, o superintendente técnico, Bruno Lucchi, e a superintendente de Relações Internacionais, Alinne Oliveira.

 


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