Integração Lavoura-Pecuária-Floresta - ILPF.
DATA: 18/12/2015

CNA defende medidas imediatas para reduzir gases de efeito estufa

Implementação de políticas públicas de reflorestamento e redução dos custos do financiamento para atividades sustentáveis são algumas das ações defendidas

A contribuição do setor agropecuário brasileiro para a redução das emissões de Gases de Efeito Estufa (GEEs), compromisso assumido pelos países que participaram da 21º Conferência das Partes (COP-21), depende inicialmente de políticas públicas do governo, para que sejam cumpridas as metas, apresentadas para a comunidade internacional na convenção climática.

 

Dentre as medidas que devem ser tomadas, estão: a implementação de políticas públicas de reflorestamento, redução dos custos do financiamento às atividades sustentáveis de produção, a regulamentação total do Código Florestal; a criação de um mercado de crédito de carbono voltado ao setor agropecuário e mais investimentos em ciência e tecnologia, visando à adaptação do setor às adversidades climáticas.

 

Estas são algumas iniciativas defendidas pela Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em relação às metas apresentadas pelo governo brasileiro na Conferência. Para o presidente da CNA, João Martins, as medidas devem considerar o aspecto econômico da propriedade rural. “Buscamos um modelo que atenda as exigências ambientais, mas que permita a exploração econômica destas áreas e possibilite o aumento da renda do produtor rural”, afirma.

 

O setor produtivo rural brasileiro, ao longo dos anos, vem contribuindo decisivamente para a redução das emissões de GEEs, com a adoção de tecnologias de baixa emissão de gases de efeito estufa e o sequestro de carbono no solo, com a prática do plantio direto e, ainda, pelo aumento da produtividade, o que reduz a pressão sobre a vegetação nativa remanescente, evitando as emissões decorrentes da conversão destas áreas para uso alternativo do solo.

 

Mesmo enfrentando séria crise econômica, que também atinge, nas suas devidas proporções, o setor agropecuário nacional, o Brasil ofereceu as maiores metas de redução, superiores às da União Europeia. Na avaliação da CNA, para que estas propostas apresentadas pelo governo brasileiro sejam cumpridas, é preciso reduzir os juros e os custos do financiamento. Considerando-se um custo de R$ 15 mil por hectare, seriam necessários, apenas para o reflorestamento de 12 milhões de hectares, R$ 180 bilhões.

 

A entidade ressalta, ainda, que alguns dispositivos do Código Florestal ainda não estão regulamentados, como a compensação ambiental de reserva legal fora do estado, servidão florestal, a cota de reserva ambiental, o pagamento por serviços ambientais e o Programa de Regularização Ambiental (PRA), este de responsabilidade dos governos estaduais.

 

A Confederação defende, também, o fortalecimento institucional dos órgãos estaduais para a inscrição das propriedades rurais no CAR, condição fundamental para adesão ao PRA. Desta forma, será possível saber o tamanho do passivo ambiental a ser recuperado.

 

Em relação ao crédito de carbono, a CNA considera que o acordo pode estimular a criação de mercados internacionais e domésticos. No entanto, a entidade opõe-se à taxação sobre qualquer emissão, pois esta iniciativa representaria risco à competitividade do setor agropecuário brasileiro.

 

Ações relacionadas à pesquisa e ao desenvolvimento de biotecnologia e melhoramento genético, para adaptação e resistência de espécies animais e vegetais às adversidades climáticas, decorrentes do aumento da temperatura do planeta, evitando perdas na produção e melhorando a produtividade, também são defendidas pela Confederação, para evitar que a conta do aquecimento global recaia com maior peso sobre o setor agropecuário.

 

 

 


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