DATA: 15/12/2015

Clima atrapalha, mas café segue como destaque no agronegócio mineiro

O sistema FAEMG divulgou um balanço do setor e as perspectivas para o próximo ano

O ano de 2015 começou com dados econômicos de desempenho da agropecuária ainda em crescimento. Porém, os indicadores já demonstravam a insegurança dos produtores, com a redução na compra de fertilizantes e insumos. A alta do dólar, que por um lado foi positiva para o setor, favorecendo as exportações, por outro lado, encareceu os insumos.

 

Os cafezais mineiros, pelo terceiro ano consecutivo, saíram prejudicados por conta dos fatores climáticos extremos. Impactos no estágio de granação do café e o atraso da colheita resultaram na desuniformidade dos grãos (maturação) e peneira baixa (grãos miúdos), gerando quebra na renda do beneficiamento da maioria dos produtores. Apesar do cenário, o café conseguiu se manter como principal produto do agronegócio mineiro, representando 49,2% das exportações no Estado.

 

No caso do leite, o preço médio pago ao produtor de Minas foi, em novembro, de R$ 1,093 por litro, valor 4,4% superior ao mesmo período de 2014. Apesar da leve valorização do preço do produto, a produção se tornou muito mais exigente, já que o aumento do custo de produção foi de 14,2%. Os principais itens que impactaram nesta conta, além da mão de obra, foram: lubrificantes, concentrados proteicos e energéticos, combustíveis (+7,9%), suplemento mineral (+6,6%), fertilizantes (+2,7%), encarecidos pela alta taxa cambial.

 

Na pecuária, desde o início deste ano, o cenário já era desfavorável em grande parte do Estado. A crise hídrica teve grande reflexo, comprometendo as pastagens e a produção dos principais itens da ração dos animais. Em determinadas regiões, este foi o quarto ano de seca consecutiva.

 

A área plantada de grãos foi de 3,17 milhões de hectares, gerando uma produção de 11,75 milhões de toneladas. As culturas do milho e da soja tiveram produção de 6,86 e 3,5 milhões de toneladas respectivamente. Para os grãos, o cenário econômico geral foi muito melhor para os produtores do que em 2014. Apesar do aumento de volume produzido, os principais produtos (soja e milho) tiveram boa valorização no mercado devido à alta do dólar.

 

Para 2016, há expectativa de maior intensidade do fenômeno do El Niño e o aparecimento do La Niña (fenômeno oposto do El Niño), no segundo semestre, trazendo mais chuvas para a região Central e Nordeste do País, o que favorece também na incidência de geadas, que são temidas pelos cafeicultores.

 

Olhando do ponto de vista econômico, ao analisar 2015 e possíveis reflexos, a perspectiva conjuntural para 2016 não é animadora. O ajuste fiscal comprometerá algumas políticas públicas. Já o Seguro Rural não possui expectativa que garanta ao produtor acesso à subvenção num momento de clima instável.

 

Ainda com as perspectivas pouco animadoras, espera-se, que em 2016, sejam construídas bases sólidas para o retorno do crescimento econômico das diversas atividades. Desta forma, a execução de projetos de parceria público-privada poderá ampliar a infraestrutura, beneficiando o setor do agronegócio.

 

Para acessar o relatório completo sobre o agronegócio mineiro clique aqui.

 

 


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