DATA: 24/09/2015

Cientistas estudam o genoma do fungo Fusarium

Pesquisa vai ajudar a combater o causador da doença do Panamá, que já gerou perdas de US$ 134 milhões aos exportadores de banana da Indonésia

Pesquisadores estão utilizando ferramentas de bioinformática para estudar uma nova estirpe do fungo Fusarium, que está atacando a variedade mais popular de bananas, a Cavendish, também conhecida como banana d’água ou nanica. A raça tropical 4, ou TR4 do fungo é considerada a principal ameaça à produção mundial de bananas.

 

Conhecida como doença do Panamá, o fungo já gerou perdas de US$ 134 milhões aos exportadores de banana da Indonésia, segundo a Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO). O fungo atualmente está afetando a produção de bananas na China, nas Filipinas e Moçambique, entre outros países, mas o Brasil está livre dessa raça do Fusarium até o momento.

 

A Universidade de Wageningen, na Holanda, é responsável por um programa denominado “Panama Disease”, no qual realiza pesquisas para identificação da doença com o objetivo de ajudar a controlá-la. O grupo liderado pelo cientista realizou a montagem do genoma do Fusarium usando reads de PacBio, uma avançada técnica de sequenciamento de DNA que produz fragmentos (reads) mais longos, o que facilita a montagem de genomas.

 

Além disso, a equipe do Laboratório Multiusuário de Bioinformática da Embrapa, sediada na Embrapa Informática Agropecuária, realizou a montagem do transcriptoma das quatro raças do fungo: R1, R2, ST4 e TR4. O transcriptoma é o conjunto completo de transcritos de um organismo. O cruzamento dos dados do genoma e do transcriptoma pode gerar informações relevantes para a compreensão do fungo. “Nós fizemos um trabalho de análise de expressão dessas quatro raças, comparando-as. Agora os pesquisadores estão tentando compreender a biologia relativa à virulência do fungo, descobrir outros marcadores moleculares e talvez fornecer ferramentas que auxiliem nas medidas de controle”, diz o pesquisador Michel Yamagishi, da Embrapa Informática Agropecuária.

 

O Fusarium se espalha rapidamente pelo solo ou pela água. Com a contaminação do solo, uma área afetada pode ficar improdutiva para a produção de bananas por até três décadas. Os estudos de genômica e as ferramentas de bioinformática estão ajudando os cientistas no trabalho de combate à disseminação desse fungo. O mercado de bananas mundial é estimado em US$ 36 bilhões e é fonte de renda para 400 milhões de pessoas, conforme a FAO.

 

 

 


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