China
DATA: 07/01/2016

China sacode o mercado financeiro, mas não deve preocupar os sojicultores

A recomendação aos produtores é esperar a turbulência passar para negociar contratos de venda de soja Darlene Santiago

A primeira semana de 2016 foi marcada por fortes emoções no mercado financeiro. Na segunda-feira (05/01) e na quinta-feira (07/01), houve quedas generalizadas nas bolsas de valores da China. O fato ocorreu após o banco central chinês desvalorizar a moeda local, o iuan, perante o dólar.

 

Entenda o que aconteceu

O índice da bolsa de Xangai despencou 7,32% na quinta-feira e foi acionado o “circuit breaker”, um novo mecanismo que determina o encerramento do pregão do dia quando as ações recuam mais de 7%. Com isso, a bolsa de valores parou de operar e a negociação de ações foi interrompida. Esse movimento gerou pânico entre os investidores nas bolsas internacionais e pressionou outras moedas. No Brasil, o dólar também se valorizou, sendo cotado acima de R$ 4.

 

O que o agronegócio brasileiro tem a ver com isso?

A China é o principal destino da soja brasileira. Do total de 54,324 milhões de toneladas de soja em grão que foram exportadas pelos produtores brasileiros em 2015, 40,9 milhões de toneladas, mais de 75%, foram vendidas aos chineses, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior.

 

É por isso que qualquer mudança de rumo da economia chinesa deixa os brasileiros preocupados. Porém, não há motivo para pânico. “Esse movimento nos mercados é de curtíssimo prazo. Os efeitos disso na economia serão graduais e mais leves”, diz Natália Orlovicin, coordenadora de inteligência de mercado da consultoria INTL FCStone. “Houve uma retração da atividade econômica chinesa pelo décimo mês consecutivo. A economia está desacelerando, mas a demanda chinesa por soja não vai parar de crescer”, afirma Natália.

 

Mesmo assim, a recomendação nesse momento é ter cautela e esperar a poeira baixar. “Não é a melhor hora para fazer negociações de venda de soja. É um momento turbulento, precisamos esperar essa fase passar.”

 

O economista Guilherme Amorim, coordenador do núcleo de macroeconomia do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), explica que a desaceleração da economia chinesa vai prejudicar as exportações brasileiras, mas o agronegócio será poupado.

 

“Durante muito tempo, a o crescimento da economia chinesa foi promovida pela construção civil, mas em algumas regiões houve uma bolha imobiliária. O momento é de retração principalmente da construção civil, que gera uma queda nas importações chinesas de produtos como minério de ferro, cobre e cimento”, diz ele.

 

Os exportadores brasileiros de minério de ferro têm motivos reais para se preocupar, enquanto o agronegócio está seguro. “A China vai continuar demandando alimentos. Para carnes, sem dúvida, há um movimento de crescimento de demanda, principalmente as exportações de carne de frango que vão crescer a taxas maiores”, afirma Amorim.

 

Entenda a transição econômica chinesa

O que está por trás dessa turbulência chinesa é uma transição na economia. Segundo Amorim, desde que o presidente Xi Jinping assumiu o comando, em 2013, o governo sinaliza mudança de rumo. “A china passa por uma transição planejada, com o objetivo de se tornar uma economia menos dependente de exportações industriais de baixo e médio valor agregado, para se tornar uma economia de consumo”, afirma. “A China também tem a pretensão de ter maior participação no mercado financeiro.”

 

Isso significa exportar menos e focar no mercado doméstico. Somado a esse desejo do governo local, as bolsas de valores chinesas são relativamente jovens, segundo Amorim. Há muitos cidadãos de classe média que estão aprendendo a operar no mercado de capitais e, quando há qualquer instabilidade, o investidor inexperiente se desespera, em vez de ter uma visão de longo prazo.

 

“Momentos de pânico e volatilidade podem acontecer em qualquer lugar, na bolsa de Londres, na bolsa de Frankfurt. Há uma curva de aprendizado para os investidores”, afirma Amorim. “O circuit breaker existe para impedir o comportamento de manada, para interromper as vendas causadas por pânico.”

 


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