DATA: 05/10/2015

China desacelera e pressiona mercados enquanto clima gera incerteza

A consultoria INTL FCStone analisa o cenário para o quatro trimestre, com dólar valorizado e custos de produção em alta

A desaceleração da China tem se mostrado mais intensa do que o esperado, colocando pressão baixista sobre as commodities. A redução da demanda do gigante asiático tem impactado negativamente as moedas de países emergentes, que exportam para os chineses. É o caso do Brasil, onde a taxa de câmbio chegou a R$ 4,00, com a alta potencializada pela crise política e econômica. Essa é a avaliação do relatório de perspectivas da consultoria INTL FCStone para o quatro trimestre de 2015.

 

Segundo a coordenadora de inteligência de mercado da INTL FCStone, Lígia Heise, o cenário de alta para o dólar pode se intensificar caso os Estados Unidos decidam subir sua taxa de juros de referência em 2015. Por outro lado, ponderando sobre um possível adiamento da primeira alta dos juros para o próximo ano, a influência externa para a taxa de câmbio brasileira seria mais neutra nos meses que seguem.

 

Com relação ao mercado interno, as perspectivas pessimistas para o cenário político e econômico do Brasil sugerem que o real poderá continuar perdendo valor no último trimestre de 2015, embora de maneira mais moderada. “O dólar mais alto e a crise têm mexido com a vida dos produtores brasileiros. O aumento dos custos de produção e o encarecimento do crédito foram compensados em maior ou menor grau a depender da cultura”, disse a INTL FCStone no relatório de perspectivas.

 

No Brasil, a desvalorização cambial e o aumento dos custos logísticos nos portos elevam os preços dos fertilizantes em reais, enquanto a dificuldade de acesso ao crédito rural reduz a demanda dos agricultores. Os produtores de grãos têm sido os mais favorecidos pela desvalorização cambial, que deu suporte ao preço recebido em suas praças no mercado doméstico. Por outro lado, muitas usinas de cana estão vendo sua dívida crescer a taxas superiores ao faturamento, o que agrava a crise do setor.

 

No terceiro semestre deste ano, a INTL FCStone havia apontado o clima como principal influenciador do mercado de commodities. No entanto, o efeito do El Niño sobre algumas culturas (como soja e milho) tem sido limitado. “Nos Estados Unidos, o fenômeno se intensificou depois que as lavouras da oleaginosa e do cereal já tinham passado pela fase crítica de desenvolvimento, poupando as plantas”, lembra a analista da consultoria, Ana Luiza Lodi.

 

O mercado de açúcar tem sofrido mais, com chuvas acima da média no Brasil, e seca em players importantes da Ásia. Ainda assim, mesmo em safras mais impactadas pelo fenômeno climático, os fundamentos de oferta das commodities são em linhas gerais confortáveis, com amplos estoques dificultando altas expressivas dos preços.


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