Case IH investe US$ 40 milhões na nova linha de colheitadeiras de grãos

Expectativa é que até 800 máquinas Axial-Flow Série 130 sejam vendidas em 2016

Mesmo com o mercado instável, o produtor com o pé no freio e os números do setor de máquinas agrícolas em queda há dois anos, o grupo CNH Industrial começou 2016 na contramão do pessimismo. O grupo está investindo pesado no desenvolvimento da nova linha de colheitadeiras de grãos Axial-Flow Série 130, composta pelos modelos 4130 (classe 5), 5130 e 6130 (classe 6) e 7130 (classe 7). Foram investidos US$ 40 milhões no projeto, que começou a ser desenvolvido há pouco mais de quatro anos, com a fabricação dessas máquinas agrícolas numa unidade em Sorocaba, no interior de São Paulo.

 

Segundo Mirco Romagnoli, vice-presidente da Case IH na América Latina, esse é o lançamento mais importante e representa o maior valor já investido pela empresa na América Latina. Em 2001, a participação da Case IH no mercado de colheitadeiras era de apenas 1,8%. De lá para cá, a participação da empresa teve um salto expressivo, alcançando 18% em 2015, e a expectativa da Case é chegar a 20% em 2016.

 

Os diferenciais da linha

A linha Axial-Flow Série 130 promete ao produtor menor consumo de combustível, maior reserva de potência e menor custo de operação e manutenção. “Além de novos motores e rotores, nós pensamos em todos os detalhes que fizessem a máquina colher mais em qualquer condição de trabalho, apresentando grãos mais limpos e inteiros, e que facilitassem a rotina do operador na hora dos ajustes e manutenção”, diz Christian Gonzalez, diretor de Marketing da Case IH para a América Latina.

 

Até o momento, já foram vendidas 30 colheitadeiras e 11 estão operando. As máquinas chegam ao mercado custando entre R$ 600 mil e 950 mil e podem ser utilizadas nas culturas de soja, milho, arroz, feijão e trigo. A expectativa é de que em 2016 sejam vendidas entre 750 e 800 colheitadeiras da nova linha. Segundo o vice-presidente, isso significa manter o mesmo volume de vendas da case no ano passado.

 

“Nossa estratégia principal foi, mesmo com a redução do volume de mercado, não parar o investimento. Muito pelo contrário, nós fomos a fundo, lançamos esse produto justamente para compensar a queda do mercado com aumento de participação, ganhar volume através de novos clientes. E com isso estar pronto para quando o mercado retomar, porque ele vai retomar, quem está aqui no Brasil sabe que isso já se passou muitas vezes”, diz Gonzalez.

 

A Case HI também está desenvolvendo um aplicativo para smartphone para auxiliar o produtor no pós-venda, indicando quais os ajustes necessários para cada variedade de grão e situação da lavoura. O objetivo é de que até abril deste ano o software esteja disponível para operadores e clientes da nova linha.

 

Queda nas vendas

O setor de máquinas agrícolas vem encolhendo. No total, em 2015, o setor registrou vendas de 5.400 colheitadeiras, enquanto em 2014 os produtores brasileiros compraram 5.500 unidades. De acordo com Mirco Romagnoli, a Case IH prevê uma queda de 13% nas vendas do setor em 2016.

 

O aumento de participação de mercado da Case IH não foi suficiente para proteger a empresa da queda generalizada das vendas. O diretor de marketing conta que foi necessário reduzir turnos de produção e fazer remanejamento de estoque para se adequar ao momento de baixa no mercado que, segundo ele, só deve se recuperar em 2017.

 

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