Maracujá
DATA: 02/02/2016

Casal escocês aposta em Maracujá Pérola do Cerrado

O maracujá BRS Pérola do Cerrado é resultado de quase 20 anos de pesquisas em melhoramento genético convencional

Ex-proprietários de um restaurante de comida brasileira em Edimburgo, na Escócia, John e Lúcia Falconer têm apostado, há pouco mais de um ano, na venda de frutas tropicais como o maracujá em duas feiras de rua da cidade. Na semana passada, eles atravessaram o Atlântico em direção a Brasília para negociar a importação de um novo produto: o maracujá silvestre BRS Pérola do Cerrado, cultivar desenvolvida pela Embrapa Cerrados (Planaltina, DF).

 

“O Fábio (Faleiro, pesquisador da Unidade) nos apresentou esse maracujá quatro anos atrás, e agora queremos vender a fruta in natura nas feiras”, conta John, que também tem uma empresa importadora de frutas de diferentes países tropicais. “Temos interesse pelo BRS Pérola do Cerrado porque ele é mais nutritivo”, diz Lúcia, que é brasileira. “Para você vender uma fruta tropical na Grã-Bretanha, ela tem que trazer uma história, como o modo como é produzida, os benefícios para a saúde ou se é produto de comércio justo”, diz o marido.

 

Maracujás fazem parte da vida do casal há 18 anos, pois o restaurante chamado Brazilian Sensation oferecia sobremesas como a geleia e o sorvete artesanal do maracujá azedo (comercial), produtos também vendidos atualmente nas feiras. “Nossa geleia de maracujá com banana recebeu o Great Taste Awards (prêmio da gastronomia britânica) em 2004. Outra, só de maracujá, também foi premiada”, conta Lúcia.

 

Com o apoio da Embrapa Cerrados, que por meio da Rede Passitec tem incentivado a estruturação dos elos da cadeia produtiva do maracujá BRS Pérola do Cerrado, o casal Falconer iniciou negociações com a produtora Dora de Siqueira, do Núcleo Rural Sobradinho dos Melos, no Distrito Federal.

 

“É a ação coordenada entre tecnologia para produção, colheita, armazenagem e transporte, e isso tem que ser repassado aos elos dessa cadeia de forma sustentável. Quando se pensa em exportação, existe uma série de cuidados com a classificação e embalagem do fruto, que deve atender as exigências internacionais. Portanto, é importante que produtor conheça o processo de packing house”, diz a pesquisadora Ana Maria Costa, coordenadora da Rede Passitec.

 

Na chácara onde vive com o marido, Dora iniciou, em novembro de 2014, o plantio de cerca de um hectare com 510 plantas do maracujá BRS Pérola do Cerrado e outras 780 de cultivares de maracujá azedo BRS Rubi do Cerrado, BRS Sol do Cerrado e BRS Gigante Amarelo, também desenvolvidas pelo centro de pesquisa. Outras duas famílias trabalham no local, totalizando quatro empregados.

 

No sistema de plantio, acompanhado pelos pesquisadores da Embrapa Cerrados, as linhas das espaldeiras dos maracujás são intercaladas por cultivos de feijão BRS Maravilha, BRS Ouro Branco, também materiais Embrapa, e feijão jalo precoce. Além de garantir alimento e renda extra, a ideia do consórcio é permitir a fixação biológica do nitrogênio atmosférico pelo feijão e assim reduzir, com o passar do tempo, a necessidade de adubação nitrogenada do pomar.

 

Em visita à propriedade, John informou as exigências da Grã Bretanha para a importação de frutas e avaliou possíveis formas de embalagem do maracujá para exportação, bem como padrões de tamanho, peso e cor dos frutos. A intenção é começar a recebê-los semanalmente a partir de fevereiro – cerca de 40 quilos do BRS Pérola do Cerrado, além de 100 quilos do BRS Rubi do Cerrado, cultivar que chamou a atenção do escocês devido à coloração arroxeada da casca.

 

“Ainda não sabemos qual será a demanda nas feiras. Por isso, primeiro temos que aprender a andar antes de correr”, afirma o escocês, justificando as quantidades relativamente pequenas de maracujá a serem importadas.

 

Saiba mais

Lançado em 2013, o maracujá BRS Pérola do Cerrado é resultado de quase 20 anos de pesquisas em melhoramento genético convencional, que compreende cruzamentos de acessos da espécie Passiflora setacea coletados em diferentes regiões do Cerrado brasileiro. É a primeira cultivar de maracujazeiro silvestre desenvolvida pela Embrapa já disponível para os fruticultores e consumidores.

 

Os frutos têm rendimento de polpa superior a 40%. De cor amarelada, a polpa apresenta sabor característico delicado, podendo ser consumida fresca ou em pratos doces ou salgados. A cultivar é, por isso, uma opção para o mercado de frutas especiais e de alto valor agregado, principalmente quando produzido em sistemas orgânicos e agroecológicos.

 

A polpa é rica em minerais importantes para a saúde, como magnésio, ferro, fósforo e zinco. Cem gramas de polpa do fruto, o que equivale a dois copos, contêm de 34% a 39% das necessidades diárias de ferro, 21% a 27% de magnésio, 22% a 32% de fósforo e 23% a 37% de zinco. Ela é mais rica que a polpa do maracujá comercial (Passiflora edulis) em enxofre, cálcio, boro e manganês. Além disso, tem maiores teores de fósforo e potássio que a polpa da acerola e igual teor de ferro.

 


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