Capim-braquiária - pastagem

Capim-braquiária: inoculação aumenta o volume de proteína em 25%

Em ensaios conduzidos no Paraná e no Mato Grosso do Sul, a inoculação foi realizada na implantação das pastagens

Inovação desenvolvida pela Embrapa Soja, em parceria com a empresa Total Tecnologia, promove o incremento na produção de biomassa e no conteúdo de proteína do capim-braquiária. A tecnologia consiste na inoculação do capim com Azototal, primeiro produto comercial com registro para braquiárias. Trata-se de um inoculante que contém estirpes selecionadas da bactéria Azospirillum brasilense.

 

Capim-braquiária

A inoculação com o Azototal resultou em um incremento de 15% na produção de biomassa da braquiária e de 25% no conteúdo total de proteína, em comparação às parcelas que não receberam o produto. “Esses números são excepcionais e podem impactar positivamente a agropecuária”, afirma Mariangela Hungria. A Azospirillum brasilense é classificada como “bactéria promotora do crescimento de plantas”.

 

O principal efeito desse microrganismo é a produção de fitormônios, que resultam, principalmente, em incrementos consideráveis na biomassa de raízes. “Com o maior crescimento das raízes, a capacidade da forrageira para explorar o solo em busca de nutrientes e água é ampliada e permite, inclusive, maior aproveitamento do fertilizante aplicado”, diz a cientista da Embrapa.

 

Recuperação de pastagens com baixo custo

Estima-se que o Brasil tenha cerca de 180 milhões de hectares ocupados por pastagens, a grande maioria com capim-braquiária. Desse total, cerca de 70% encontram-se em algum estágio de degradação. “A recuperação de áreas com pastagens degradadas de braquiárias, usando a combinação de fertilizante nitrogenado e Azospirillum pode trazer, com baixo custo para o agricultor, um grande impacto na agropecuária brasileira, não só pela maior produção de biomassa, mas também por meio da melhoria na qualidade proteica na alimentação do gado”, diz a pesquisadora.

 

Benefícios adicionais ao meio ambiente

O processo de inoculação do campim-braquiária com Azospirillum também traz benefícios ambientais, ao favorecer o sequestro de carbono da atmosfera pela maior produção de biomassa de forragem, estimado em, aproximadamente, 100 kg de carbono por hectare por ano (C/ha/ano). O carbono absorvido pela planta é convertido em biomassa, portanto, para gerar mais biomassa, a planta retira mais carbono da atmosfera.

 

Além disso, a inoculação eliminou a necessidade de uma segunda aplicação de 40 kg de nitrogênio por hectare (N/ha), contribuindo para a mitigação de gases de efeito estufa, estimada em 180 equivalentes de gás carbônico por hectare (CO2/ha). Isso ocorre porque parte do nitrogênio aplicado à lavoura é transformado em óxido nitroso (N2O), um gás de efeito estufa.

 

“São números que ajudam a viabilizar uma agricultura mais sustentável e com responsabilidade ambiental, sendo uma tecnologia em plena sintonia com as metas do governo brasileiro no Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC)”, afirma o pesquisador Marco Antonio Nogueira.

 

Como funciona a tecnologia

As estirpes Ab-V5 e Ab-V6 de Azospirillum brasilense vêm sendo utilizadas com sucesso nas culturas do milho e do trigo e na coinoculação com rizóbios nas culturas da soja e do feijoeiro. Para avaliar o desempenho da inoculação dessas estirpes da bactéria nas braquiárias (B. brizantha e B. ruziziensis), foram desenvolvidas formulações e averiguadas dosagens do inoculante.

 

Em ensaios conduzidos no Paraná e no Mato Grosso do Sul, a inoculação foi realizada nas sementes, na implantação das pastagens. Todas as parcelas receberam 40 kg de nitrogênio-fertilizante por hectare (N-fertilizante/ha) como ureia, em cobertura, aos 30 dias após a emergência, uma vez que essas bactérias não possuem a capacidade de fornecer todo o nitrogênio de que a planta precisa.

 

Lançamento

O lançamento da tecnologia ocorre no Show Rural Coopavel, entre 5 e 9 de fevereiro de 2018, em Cascavel (PR). “Com a inoculação, as forrageiras poderão dispor de 25% a mais de proteína, o que irá melhorar a qualidade nutricional da alimentação dos animais”, afirmam os pesquisadores da Embrapa Mariangela Hungria e Marco Antonio Nogueira, que participaram do desenvolvimento da tecnologia.

 

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