Silo - armazenagem de grãos

Capacidade de armazenagem de grãos continua insuficiente no Brasil

De acordo com informações da Companhia Nacional de Abastecimento, déficit chega a 58,5 milhões de toneladas

Um total de 17.707 armazéns cadastrados, junto à Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), com capacidade de armazenagem de 152 milhões de toneladas de grãos, continua insuficiente para uma safra estimada em 210,3 milhões para o ciclo agrícola 2015 /2016, ou seja, um déficit 58,5 milhões de toneladas.

 

O número preocupa até porque, segundo a Pesquisa de Estoques referente ao primeiro semestre de 2015, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), houve uma redução no número de estabelecimentos ativos – de 7.927 nos seis últimos meses de 2014 para 7.858 no período seguinte (queda de 0,9%). O resultado do segundo semestre, de acordo com calendário do órgão, só será divulgado no próximo mês de junho.

 

“Vale ressaltar que, devido à alta rotatividade dos grãos, o déficit apresentado, muitas vezes, não chega a impactar na comercialização, pois a capacidade dinâmica é aumentada”, explica a Conab em nota enviada por e-mail, à equipe da Sociedade Nacional de Agricultura (SNA/RJ).

 

Na opinião do vice-presidente da Sociedade Nacional de Agricultura Hélio Sirimarco, a armazenagem é um fator primordial para o sucesso e a garantia da competitividade dos produtores rurais. “Hoje, o que se vê é um descompasso entre o setor de armazenagem e a força de produção do agro, e isto acaba por afetar a logística do transporte de grãos, provocando obstruções nas vias de escoamento, até mesmo nas áreas destinadas ao recebimento de mercadorias para estocagem.”

 

Censo dos armazéns

Embora o objetivo principal não seja elevar a capacidade de armazenagem, a Conab realizará, até novembro deste ano, o Censo dos Armazéns. “A intenção é fazer uma atualização de cadastro, que é pré-requisito para os armazéns que desejam participar do Processo de Certificação de Unidades Armazenadoras”, diz a estatal.

 

Conforme o órgão, mais de 5,3 mil armazéns de 767 municípios estão respondendo a questões como capacidade estática, recepção e expedição de produtos, sistema de pesagem, amostragem e segurança, entre outros quesitos.

 

Segundo o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o levantamento é uma prioridade da ministra Kátia Abreu, pois estes dados são importantes para avaliar a necessidade do setor de armazenagem.

 

Ainda de acordo com o Mapa, o censo atende à legislação e responderá a pedidos de cadastro do setor privado, que está interessado em prestar serviços ao governo federal.

 

Equipe técnica

À SNA/RJ, a Conab explica que o cadastramento é solicitado pela internet, no site www.conab.gov.br. “A equipe vai a campo para aferir a veracidade das informações e concluir o cadastramento. Ao todo, 137 técnicos da Companhia estão envolvidos no processo”, informa a estatal, em nota. A previsão de gastos com o Censo é de aproximadamente R$ 1 milhão.

 

A equipe começou a trabalhar em fevereiro no Estado de Rio Grande do Sul, com a visita a 275 armazéns. Em março, foram visitadas unidades rurais em Minas Gerais, Mato Grosso, Espírito Santo, Santa Catarina e São Paulo, que somam cerca de 4 mil equipamentos. Em abril, será a vez de Goiás e Bahia. O encerramento será em novembro, em Santa Catarina. Nos demais Estados, as visitas serão realizadas entre abril e junho.

 

Programas do Governo

O Ministério da Agricultura admite o déficit da capacidade de armazenagem no País, mas segundo Marcelo Cabral, diretor do Departamento de Infraestrutura, Logística e Geoconhecimento para o Setor Agropecuário do Mapa, já funcionam programas de políticas públicas do governo que visam ao atendimento deste setor.

 

“Hoje, existe o PCA (Plano de Construção de Armazenagem), com crédito subsidiado para armazenagem; e o  Moderinfra, que pode ser usado para instalação de novos armazéns”, diz.

 

Ele acredita na necessidade de haver parcerias público-privadas para solucionar o problema do déficit de armazéns no Brasil, “por meio do incentivo do crédito para as regiões com maior déficit de capacidade estática”.

 

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