DATA: 17/11/2015

Café Santa Monica aposta em cápsulas para crescer

A empresa comemora 30 anos com nova linha de produtos e abre escritório nos Estados Unidos Naiara Araújo

O engenheiro Arthur Moscofian Junior, proprietário da fazenda Santa Monica, localizada em Machado, no sul de Minas Gerais, tem três fortes motivos para comemorar. Dono da marca de cafés que leva o nome da fazenda, ele comemora os 30 anos da empresa em 2015, com a fama de ser uma referência na produção do grão de qualidade. O segundo motivo é a internacionalização da companhia, com a abertura de um escritório comercial em Miami, nos Estados Unidos. Como se não bastasse, há um terceiro motivo para celebrar: o lançamento de uma nova linha de café em cápsulas, que marca a entrada Santa Monica no promissor nicho de cafés monodose, além do lançamento de novas embalagens para o seu tradicional café em grão e em pó.

Sem dúvidas, a novidade que mais empolga o cafeicultor é a fabricação de cápsulas compatíveis com máquinas Nespresso, da multinacional suíça Nestlé. Moscofian conta que as máquinas se popularizaram com velocidade, mas a oferta de cápsulas não acompanhou a alta demanda pelo produto. “Existem várias máquinas paradas porque o pessoal não consegue comprar cápsulas”, diz.

Arthur diz que viu nessa demanda reprimida, que ele chama de “falha mercadológica”, uma oportunidade de negócio para a sua marca. Segundo ele, o diferencial da Santa Monica será facilitar o acesso ao produto, com uma ampla rede de distribuição de suas cápsulas, em estabelecimentos em todo o Brasil. Outra vantagem será oferecer um custo competitivo. Enquanto as cápsulas dos concorrentes e da própria Nespresso custam, em média, R$ 1,75, a Santa Monica vai garantir a venda do produto por R$ 1,90 nas lojas físicas ou por R$ 1,50 no comércio online.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), o consumo de café em monodoses foi registrado em apenas 1% dos lares brasileiros até 2014. Porém, com a entrada de novas marcas no segmento de cápsulas, a expectativa de crescimento para a próxima década é de 20%.

Um diferencial da Santa Monica é que o processo de encapsulamento é realizado no Brasil. Enquanto grandes marcas realizam o procedimento na Itália, a fazenda mineira aproveita o serviço oferecido pela Kaffa, empresa portuguesa que chegou ao Brasil em julho de 2015. A fábrica, localizada em Ribeirão Preto, interior de São Paulo, tem capacidade para produzir cerca de 120 milhões de cápsulas por ano.

O escritório aberto em Miami vai reforçar a venda de cápsulas no exterior. Mas, a ambição do empresário vai além. Com a expansão para os Estados Unidos, Moscofian espera facilitar e aumentar as exportações de café verde e torrado da marca. Atualmente, os principais importadores do café Santa Monica são os norte-americanos, chineses e gregos.

Produção sustentável

 A Fazenda Santa Monica, que foi batizada com o nome da esposa de Moscofian, possui 450 mil pés de cafés, que produzem, em média, oito mil sacas por ano. Por ser um grão cultivado num terreno a 1.200 metros de altitude, com manejo sustentável e cuidadoso, a qualidade do produto garante ao casal de cafeicultores pagamentos três vezes maior do que os preços médios praticados nesse mercado. Enquanto a saca do café gira em torno de R$ 500, Moscofian vende a sua colheita por R$ 1.500 a saca.

Além de cultivar apenas café arábica, espécie conhecida por proporcionar uma bebida de melhor qualidade, a fazenda Santa Monica investe em técnicas de manejo diferenciadas. Moscofian aplica cerca de R$ 2 milhões por ano em tecnologia. Há uma década, ele aposta em fertirrigação com tecnologia israelense. Trata-se de um sistema totalmente computadorizado e preciso, que garante a qualidade de até 80% dos grãos produzidos.

O sistema Safra Zero também é usado na propriedade e tem duas vantagens: a redução de gastos e aumento da produção. Nesse método, as áreas são divididas em lotes e enquanto uma produz, a outra descansa. Além de diminuir os custos durante o período em que o espaço está zerado, no ano seguinte a produtividade será três vezes maior. Com toda essa bagagem no cultivo de café gourmet, a orientação de Arthur para quem quer agregar valor ao produto é bastante objetiva. “A principal dica é fazer um café de qualidade, está muito em falta”, diz.

Embora as três décadas sejam de uma história de sucesso, nenhum produtor escapa dos contratempos. O desafio da última safra foi a falta de água, que fez a produção cair 10%. “Todo mundo teve problema com a seca, a quantidade de água que a gente consegue colocar no pé é muito menor”, diz Arthur, que brinca que a única solução é pedir para São Pedro mandar mais chuva. Em relação aos problemas com pragas, ele não relatou nenhum e disse ter dois engenheiros agrônomos que cuidam desse setor.


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