DATA: 09/10/2015

Cadeia produtiva de alho ganha nova cultivar

O alho Amarante apresenta outras características, como o menor número de bulbilhos por cabeça e com formato mais uniforme

Testes de validação já comprovaram as suas qualidades e as sementes para compor os lotes que serão ofertados em leilões já foram multiplicadas. Só falta marcar a data do edital para seleção pública que vai licenciar empresas interessadas em produzir alho-semente, previsto para o início do próximo ano.

A cultivar de alho Amarante, pertence ao grupo comum/seminobre e foi selecionada por produtores na região de Ouro Preto-MG. Na Embrapa Hortaliças (Brasília, DF), passou pelo processo de limpeza de vírus e seleção clonal e está pronta para ser disponibilizada por produtores de alho de todo País. O alho Amarante, foi selecionado provavelmente a partir de Cateto Roxo, uma variedade ainda muito utilizada por pequenos produtores, porém de qualidade inferior. A exemplo da cultivar BRS Hozan, lançada em 2013, a cultivar Amarante também é livre de vírus e dispensa a necessidade de vernalização (acondicionamento dos bulbos em câmara fria por 50 dias antes do plantio) para ser plantado em regiões de clima mais quente, reduzindo os custos de produção

O pesquisador Francisco Resende, que coordena o Programa de Melhoramento de Alho da Embrapa Hortaliças, destaca que a cultivar apresenta outras características, como o menor número de bulbilhos por cabeça, bulbos com formato mais uniforme se comparado com outros materiais com o Cateto Roxo, com o qual partilha semelhanças e diferenças. “Os dois são parecidos no formato, na cor, mas o Amarante nunca vai passar de 12 bulbilhos por bulbo, enquanto o Cateto Roxo chega a apresentar até 35”, assinala o pesquisador, para quem o menor número de dentes representa uma vantagem para o consumidor, já que resulta em produção de bulbilhos de maior tamanho facilitando na hora de descascar. “Ele produz dentes grandes o suficiente para agradar a dona de casa e também o produtor”.

A validação do novo material decorreu de testes conduzidos em diferentes regiões do Brasil, produtoras de alho comum, que apresentaram diferentes níveis de produtividade e com ciclo variando de 130 a 150 dias. O maior índice de produção foi obtido no município de Bueno Brandão, em Minas Gerais, com 20 toneladas por hectare (bulbos não curados), enquanto a média em outras localidades ficou em torno de 11 a 12 t/ha. Além das caraterísticas apresentadas, o alho Amarante também apresenta outro diferencial quanto à questão do sabor e pungência, principalmente com relação as variedades de alho e também ao importado do China e da Argentina.

“A presença do ácido pirúvico determina o maior ou menor grau de pungência do alho e nesse quesito o Amarante chega a 14 µmol/L, menor do que o Cateto Roxo, com 20 µmol/L , mas superior ao aroma do Hozan, Chonan e Quitéria bem menos pungente com médias de 7 a 8  µmol/L”, registra o pesquisador, que prevê a adoção da cultivar inicialmente pelos pequenos produtores e, numa fase posterior, pelos grandes produtores como uma opção para redução de custos por não necessitar de vernalização . “É mais uma opção de cultivo que estamos oferecendo e que deve despertar o interesse de grande parte da cadeia produtiva”.


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