DATA: 25/02/2016

Brasil poderá produzir 10 bilhões de litros de etanol de segunda geração

Projeção é para 2025, com a construção de novas unidades industriais e um ambiente regulatório ajustado às necessidades

Considerado uma das cinco maiores potências no desenvolvimento do biocombustível de segunda geração (2G) e único país sul-americano a investir neste tipo de tecnologia, o Brasil tem capacidade para produzir 10 bilhões de litros de etanol 2G até 2025, desde que hajam investimentos na adaptação e construção de novas unidades industriais e um ambiente regulatório ajustado às circunstâncias e necessidades deste segmento.

 

Esta é apenas uma das projeções a respeito do futuro do etanol avançado nos principais países produtores feitas pelo estudo “Second Genaration Biofuels Markets: State of Play, Trade and Developing Country Perspectives”, documento lançado nesta terça-feira (23/02) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD) e que teve contribuições da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA).

 

Além do Brasil, o relatório mapeia todos os projetos e estabelecimentos voltados ao etanol celulósico existentes nos Estados Unidos, China, Canadá e União Europeia, diferenciando o atual estágio de operação (planta-piloto, de demonstração ou comercial) e a capacidade produtiva de cada unidade.

 

O objetivo do documento, segundo a UNCTAD, é promover novas oportunidades de mercado para nações interessadas em desenvolver biocombustíveis avançados, um dos instrumentos mais eficazes no combate às mudanças climáticas. O tema, inclusive, motivou assinatura do Acordo de Paris, documento firmado ao final da Conferência do Clima (COP21), em dezembro de 2015, quando 195 países se comprometeram com metas individuais para a redução dos gases do efeito estufa (GEEs).

 

No caso do Brasil, que terá de cortar 37% das emissões domésticas de GEEs até 2025 – com base nos níveis de 2005 –, a participação do etanol carburante e demais biomassas derivadas da cana-de-açúcar na matriz energética deverá saltar dos atuais 16% para 18%, o que exigirá a produção de 50 bilhões de litros do combustível renovável até 2025.

 

Para a assessora sênior da Presidência para Assuntos Internacionais UNICA, Geraldine Kutas, o estudo apresentado pela UNCTAD é bem fundamentado e apresenta argumentos equilibrados no que se refere aos desafios a serem vencidos por um país que pretende instalar ou mesmo reforçar a sua indústria de biocombustível 2G. “Além de trazer números que demonstram claramente o atual cenário mundial da produção de etanol 2G, o documento também propõe medidas inerentes ao sucesso deste projeto, tanto pelo lado da iniciativa privada quanto pela esfera governamental”, conta a executiva.

 

Produção

De forma geral, analisando a atual infraestrutura industrial e agrícola do setor sucroenergético brasileiro, a publicação indica que nos próximos nove anos, a marca de 10 bilhões de litros de etanol 2G só será atingida se houver expansão na moagem de cana, modernização e integração das produções de etanol 1G e 2G nas usinas existentes, além da construção anual de 10 unidades exclusivamente voltadas ao biocombustível celulósico a partir de 2020.

 

No curto-prazo (2016-2025), somente com o retrofit em 81 plantas em operação, cuja capacidade de moagem somada alcança 275 milhões de toneladas de cana por ano, seriam produzidos 5 bilhões de litros de etanol 2G até 2025. Outros 1,5 bilhão de litros adviriam de um acréscimo na moagem de 100 milhões de toneladas de cana, volume facilmente alcançável por 80% das empresas do segmento, de acordo com o documento.

 

Por fim, a inauguração de 10 unidades a partir de 2020, quando novas variedades de cana poderão aumentar o rendimento do etanol para cerca de 19 mil litros por hectares, culminará, após cinco anos, em uma produção total de 3,5 bilhões de litros. Somadas todas estas ações, o Brasil atingiria o volume de 10 bilhões de litros de etanol celulósico projetado pela UNCTAD em 2025.

 


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