Bioinseticidas da Embrapa buscam combater o Aedes aegypti

Os bioinseticidas são formulados a partir de bactérias denominadas entomopatogênicas, que agem apenas contra insetos

O mosquito Aedes aegypti é vetor de doenças como Dengue, Chikungunya e Zika para as quais não existem vacinas. Portanto, a solução mais eficiente para evitar a propagação das doenças é combater o mosquito transmissor. A Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia investe, desde a década de 1990, em pesquisas para controlar esse e outros mosquitos transmissores de doenças a partir do desenvolvimento de inseticidas biológicos capazes de combater os insetos-alvo, sem fazer mal à saúde humana, de animais e ao meio ambiente.

 

Os bioinseticidas são formulados a partir de bactérias denominadas entomopatogênicas, o que significa que são patogênicas (nocivas) apenas contra os insetos, sendo totalmente inofensivas aos outros organismos – plantas, animais e seres humanos.

 

As bactérias utilizadas no desenvolvimento dos produtos biológicos são oriundas do Banco de Bactérias Entomopatogênicas mantido pela Embrapa em Brasília (DF). O Banco conta com uma coleção de 2.600 estirpes de bactérias tóxicas a diferentes insetos.

 

As pesquisas são desenvolvidas no Laboratório de Bactérias Entomopatogênicas (LBE), coordenado pela pesquisadora Rose Monnerat e acreditado pelo INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia) para realização de ensaios biológicos. Para disponibilização desses produtos no mercado, a Embrapa Recursos Genéticos investe desde 2002 na formação de parcerias com empresas privadas.

 

Bioinseticida Bt-horus® SC

O conhecimento adquirido pela Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia resultou no lançamento do primeiro produto biológico da Empresa em 2005. O bioinseticida Bt-horus® SC foi desenvolvido em parceria com a empresa Bthek Biotecnologia Ltda., do Distrito Federal, a partir de uma bactéria conhecida como Bt (Bacilus thuringiensis), amplamente utilizada em programas de controle biológico em todo o mundo.

 

O primeiro passo para o desenvolvimento do produto biológico foi selecionar entre as que se encontram armazenadas na coleção da Embrapa uma estirpe brasileira de Bacillus thuringiensis altamente tóxica ao mosquito transmissor da dengue. Em seguida foram otimizados um meio de cultivo e uma formulação para o produto.  Finalmente, após a realização de testes toxicológicos e de eficácia, o produto foi registrado na Agencia Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) com o nome de Bt-horus® SC, sob o número 3.2813.0002.002-9. O Bt-horus foi utilizado nas cidades de Três Lagoas (MS), São Sebastião (DF), Rio das Ostras (RJ) e Sorriso (MT) sempre com muito sucesso.

 

Caso de sucesso

Em São Sebastião (DF), o produto foi o foco de uma campanha inovadora por ter sido a primeira no Brasil a utilizar um produto totalmente biológico para combater o mosquito transmissor da dengue. A campanha foi conduzida no período de fevereiro a junho de 2007 em parceria entre Embrapa, Governo do Distrito Federal (GDF) e Bthek Biotecnologia.

 

O bioinseticida Bt-horus foi distribuído e aplicado gratuitamente em todas as residências de São Sebastião (cerca de 20 mil) por uma ação multi-institucional envolvendo Embrapa, Bthek, Secretaria de Saúde, Emater-DF, Administração Regional de São Sebastião e SLU.

 

O fato de ser biológico faz com que o produto possa ser utilizado em todos os locais que acumulam água, como plantas, lagos e caixas d’água. Basta uma gota do Bt-horus para cada litro de água e as larvas do Aedes aegypti morrem em 24 horas. Os resultados em São Sebastião foram acima do esperado: o índice de infestação, que era de 4% caiu para menos de 1%, considerado aceitável pela Organização Mundial de Saúde.

 

Inova-Bti SC

Um segundo produto com a mesma finalidade – o Inova-Bti SC – foi desenvolvido em parceria com o Instituto Matogrossense do Algodão (IMAmt) e atualmente está em fase de registro. Assim como Bt-horus, é seletivo e causa a morte apenas das larvas do mosquito, não afetando o homem, animais domésticos, inclusive peixes, aves e insetos benéficos. Também não afeta o ambiente, por não ser cumulativo ou poluente. É de fácil aplicação e pode ser utilizado pela própria população.

 

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