Biodiversidade de microrganismos benéficos é maior em sistemas integrados

As informações são resultado de avaliações feitas ao longo de dois anos em um experimento que reúne diferentes configurações de sistemas integrados

Estudo realizado pela Embrapa, em Sinop (MT), mostrou que a quantidade de microrganismos com potencial de atuar como inimigos naturais de fungos causadores de doenças são maiores em sistemas integrados de produção do que em áreas exclusivas de lavoura ou pecuária. Os dados indicam que culturas em integração podem ser menos suscetíveis a doenças causadas por agentes como Sclerotium rolfsii, Rizoctonia sp. e Fusarium.

 

As informações são resultado de avaliações feitas ao longo de dois anos em um experimento que reúne diferentes configurações de sistemas integrados (lavoura-pecuária, lavoura-floresta, pecuária-floresta e lavoura-pecuária-floresta), sistemas exclusivos com lavoura, pecuária e silvicultura e em uma área de referência composta por mata nativa entre os biomas Cerrado e Amazônia.

 

“Fomos buscar na biodiversidade que está na mata e na ILPF microrganismos capazes de controlar os patógenos Fusarium, que podem afetar pastagem e milho, Rizoctonia, capazes de atacar algodão e eucalipto, e Sclerotium, que podem causar danos à soja”, diz o pesquisador da Embrapa e coordenador do estudo, Anderson Ferreira.

 

Esse trabalho de bioprospecção foi feito por meio de duas coletas de solo anuais, sendo uma no período chuvoso e outra na seca. Tomando como base as amostras, foram isolados em laboratório 1.440 fungos e 1.500 de bactérias. Em bioensaios, eles foram avaliados contra os três fitopatógenos para verificar possível ação antagônica ao agente causador de doença.

 

Entre os fungos, 11% dos isolados demonstraram controle de ao menos um dos três fitopatógenos e 1,2% dos três. Nas bactérias, 16% controlaram ao menos um dos fungos e 3% dos três.

 

Por meio da extração de DNA, foi feita a identificação dos microrganismos com ação de controle. Anderson Ferreira explica que cerca de 80% dos microrganismos encontrados são espécies já conhecidas como produtores de alguma substância anti-microbiana. Porém seu potencial de controle desses três patógenos ainda era desconhecido.

 

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