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DATA: 16/06/2017

Avicultura: como descartar aves mortas na granja de forma sustentável?

A compostagem e a incineração são métodos seguros de descarte que estão evoluindo e podem beneficiar o avicultor Por Igor Castanho

O sistema de produção intensivo nas granjas gera alguns inconvenientes. De acordo com especialistas, cerca de 3% das aves que compõem um lote de produção morrem antes de chegar ao abate, por razões como o calor excessivo. Com essa taxa de mortalidade, que é considerada normal para a atividade, os avicultores buscam alternativas para o descarte correto das aves mortas, especialmente por meio da compostagem.

 

Neste modelo, as aves mortas são direcionadas para uma composteira e são adicionados insumos que facilitam a decomposição dos restos mortais. O processo resulta em um composto altamente nutritivo para o solo que pode ser usado para adubar lavouras de grãos, por exemplo.

 

A compostagem avança

Mas a popularidade e eficiência da compostagem não dispensa melhorias e inovações. Em Joaquim Távora, no Norte do Paraná, o frigorífico Frangos Pioneiro realiza testes em um equipamento que visa acelerar o processo e reduzir o espaço físico tomado pela compostagem.

 

O custo de implantação, já considerando as instalações físicas é de R$ 45 mil, segundo o supervisor do departamento técnico da empresa, Adriano Moreira do Nascimento. “É um investimento que vale a pena para quem tem granjas grandes, pois toma menos tempo e reduz a necessidade de mão de obra”, diz ele.

 

Embora seja popular, a compostagem também possui certas desvantagens, abrindo espaço para a difusão de outros métodos. “O tamanho das granjas e a população das aves cresceu muito e isso gerou certo descompasso frente à capacidade das composteiras”, diz o agrônomo e pesquisador da Embrapa Suínos e Aves, Everton Krabbe.

 

Incineração

Diante desse cenário, a incineração se consolida como outra alternativa viável para a eliminação das carcaças. Neste modelo, as aves mortas são inseridas dentro de um equipamento que atinge altas temperaturas e transforma o descarte em cinzas. “É uma prática que ocupa menos espaço e torna o manejo mais simples para o produtor, pois ele só precisa fazer o descarte adequado das cinzas, que assumem volume muito menor”, afirma a zootecnista e sócia-fundadora da Sociedade Brasileira de Especialistas em Resíduos Agroindustriais (SBERA), Karolina Von Zuben Augusto. “Essa também é a prática mais segura e recomendada em caso de questões sanitárias, como um surto no plantel ou doenças contagiosas.”

 

Como desvantagens, a incineração esbarra em um alto custo de aquisição do equipamento e o gasto constante com combustíveis para a queima. Também é necessário realizar um controle estrito da umidade das carcaças para evitar falhas no processo. “O uso de incineradores exige um controle de emissão de gases e um bom planejamento de capacidade operacional da granja”, afirma Krabbe.

 

Fossa séptica proibida para carcaças

A difusão da compostagem e da incineração como principais métodos para descarte de aves visam eliminar práticas que não oferecem qualquer tipo de vantagem financeira ou ambiental. Muito praticada no passado, a destinação das carcaças para a fossa séptica é hoje uma ação proibida em virtude dos riscos de contaminação do solo e dos lençóis freáticos. “Tecnicamente, não há motivo para adotar essa prática e, em algumas regiões, também já existem restrições legais para isso”, diz Karolina.

 

Produção de ração animal

A destinação das carcaças para a produção de ração animal segue controle ainda mais estrito. Entre as principais resoluções que normatizam essa prática está a Instrução Normativa 8/2004, elaborada pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), que restringe o uso de restos animais na alimentação de ruminantes. O principal objetivo é evitar a propagação de doenças como a Encefalopatia Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como mal da vaca louca.

 

Assim, enquanto os criadores corroboram a eficiência de composteiras e incineradores, a pesquisa trabalha para encontrar novas alternativas. Krabbe, da Embrapa Suínos e Aves, aponta que já existem estudos para viabilizar práticas como a desidratação e a hidrólise das carcaças, mas ainda não tem adoção massiva no campo. “As tecnologias atuais estão validadas, mas não são as únicas opções. Existem novas propostas que ainda estão em análise, mas que podem se tornar soluções interessantes para alguns perfis de propriedades nos próximos anos”, diz.

 

* Esse é um trecho da reportagem publicada na revista Farming Brasil. Confira o texto completo na segunda edição da revista, já nas bancas.

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