APTA atua para resgatar e difundir conhecimento em Plantas Alimentícias

A estratégia é transferir tecnologia e conhecimento que possibilitem a retomada do consumo e o cultivo agrícola de hortaliças não convencionais

A Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, por meio da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), realiza trabalhos para resgatar e difundir conhecimento sobre as Plantas Alimentícias Não Convencionais (PANC), por meio de informações sobre segurança alimentar. A estratégia é transferir tecnologia e conhecimento que possibilitem a retomada do consumo e o cultivo agrícola de hortaliças não convencionais na diversificação e soberania da produção familiar.

Major gomes, serralha, beldroega, capuchinha, caruru, taioba, mangarito, bertalha e chuchu de vento são nomes de plantas conhecidas e consumidas no passado, mas que deixaram a mesa dos brasileiros. “Pesquisas como essas são muito importantes, pois trazem impacto positivo para os agricultores e consumidores. Nossos trabalhos focam promover a diversidade do agronegócio paulista, com respeito ao meio ambiente, uma orientação do governador Geraldo Alckmin”, afirmou o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, Arnaldo Jardim.

Os projetos têm o objetivo de promover políticas públicas focadas na pesquisa participativa agrícola e desenvolver novos modelos de sistemas de produção de base agroecológica, considerando as especificidades regionais. A intenção é estimular as famílias rurais a permanecerem no campo, com qualidade e respeito ao seu conhecimento, com geração de renda e produção diferenciada.

“Muito se fala em soberania e segurança alimentar e nutricional, porém, efetivamente, poucos cidadãos têm esse direito garantido”, afirma a pesquisadora da Secretaria de Agricultura, que atua na Apta, Cristina Maria de Castro.

De acordo com ela, a desnutrição e as doenças ligadas à má alimentação são os principais fatores das mudanças ocorridas no perfil nutricional e epidemiológico da população. “O atual padrão alimentar gera números crescentes de pessoas com doenças relacionadas à alimentação de má qualidade, que se manifestam predominantemente pela presença de doenças crônicas, como hipertensão, diabetes tipo II, doenças cardiovasculares e obesidade infantil”, explicou.

As pesquisas da Apta com PANC são conduzidas em Pindamonhangaba, no Polo Regional Vale do Paraíba. Em 2011, foi implementada no local uma área de 2 mil m² em sistema agroecológico de produção e uma Unidade Demonstrativa de plantas não convencionais, onde são realizados dias de campos e visitas técnicas, com cerca de 200 visitantes, por ano.

As atividades são realizadas em conjunto com projetos de restauração ambiental onde Sistemas Agroflorestais (SAF), enriquecidos com plantas alimentícias não convencionais adaptadas a sombra, como araruta, cúrcuma, taioba, major gomes, estão sendo introduzidas e estudadas em parceria com o pesquisador da Apta, Antonio Devide, idealizador e membro da Rede Agroflorestal Vale do Paraíba.

Segundo a pesquisadora da Apta, a integração dos saberes científico e popular reforça a riqueza de conhecimentos. “O trabalho resgata hábitos alimentares das antigas gerações e propicia a interação da pesquisa e o público, o empoderamento dos produtores, destacando a importância do cultivo e uso de PANC na alimentação com benefícios à saúde, valorização cultural regional e preservação da biodiversidade”, disse Cristina.

Os estudos enfocam sistemas de produção agroecológico, em que práticas ecológicas de manejo do solo com cultivo mínimo, consórcios, adubação verde, compostagem, plantas companheiras e cultivo em alélias são repassados aos participantes. O sistema de produção é conduzido para avaliar o desenvolvimento das espécies, adaptação à região, ocorrência de pragas e doenças, manutenção do germoplasma e área para obtenção de propágulos e produção de mudas.

Os pesquisadores explicam que a importância nutricional das plantas, a sabedoria popular, a tradição cultural e a histórica dos alimentos são trabalhados no contexto de diálogos com os participantes, com elaboração de receitas e degustação de pratos. É destacada ainda a qualidade nutricional de plantas espontâneas, muitas delas utilizadas pelos antepassados, e esquecidas da dieta atual como o caruru, da mesma família da “quinua”,  rico em ferro com algumas espécies chegando a ter cerca de 600% mais ferro que espinafre, a serralha, da mesma família do alface, e a araruta, uma fonte de reserva utilizada por tribos indígenas, com amido de alta digestibilidade, sem glúten, utilizado no convalescimento de idosos e mulheres em trabalho de parto e indicada para pessoas com problema de refluxo.

 

Deixe seu comentário