Ampliação do consumo de etanol pode gerar economia no sistema de saúde

Aumentar o uso do etanol combustível poderá propiciar uma economia de US$ 23 bilhões para o Sistema de Saúde (SUS)

Aumentar o uso do etanol combustível dos atuais 28 bilhões de litros para cerca de 50 bilhões em 2030 poderá propiciar uma economia de US$ 23 bilhões para o Sistema Único de Saúde (SUS). A cifra – R$ 82,8 bilhões, em média, na cotação atual – é uma projeção do estudo “Aumento da Participação do Etanol até 2030 e Impacto Epidemiológico Estimado em Saúde” do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP).

 

O trabalho, lançado em 2014 e atualizado em outubro de 2015 pela maior instituição acadêmica do País, analisou os gastos na rede pública decorrentes de problemas respiratórios e cardiovasculares associados ao uso de combustíveis fósseis em oito regiões metropolitanas, que juntas congregam mais de 50% da população urbana do País.

 

“Este incremento no consumo do etanol nos próximos 14 anos proporcionaria uma redução adicional de emissões estimada em 571 milhões de toneladas de CO2, o que evitaria a morte de quase 7 mil pessoas no período”, informa a presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Elizabeth Farina. Segundo dados publicados no último levantamento realizado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o uso de gasolina e diesel no setor de transporte foi responsável pela emissão de aproximadamente 200 milhões de toneladas de CO2 em 2014.

 

O trabalho desenvolvido por pesquisadores da USP avaliou a presença de material particulado fino (MP2,5), considerado o poluente de maior efeito nocivo à saúde humana, nas cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, Salvador e Vitória. Para medir o impacto destas partículas geradas pela queima de combustíveis por veículos, o estudo considerou o uso de gasolina aditivada e etanol hidratado.

 

INDCs

De acordo com as sua Contribuição Nacionalmente Determinada do Brasil (INDC, em inglês) apresentada durante a COP21, o País se comprometeu a reduzir em 43% as suas emissões de gases de efeito estufa até 2030 – comparado aos níveis observados em 2005. Até lá, um dos pontos mais importantes do plano prevê que a participação dos biocombustíveis na matriz energética brasileira deverá atingir 18%, o que para o caso do etanol significará saltar de uma produção de 28 para 50 bilhões de litros.

 

Cálculos da UNICA indicam que, para isso, serão necessárias políticas públicas de longo prazo e um ambiente regulatório saudável para atrair investimentos da ordem de R$ 40 bilhões no setor sucroenergético, cujo etanol e a biomassa da cana representam hoje 40% de toda a energia renovável ofertada internamente.

 

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