Alta no preços do milho prejudica a indústria de rações para tilápia

Custo de produção de alimento para a piscicultura aumentou 20% nos últimos três meses

Assim como em outras atividades de produção, a ração na criação de tilápia e outras espécies de peixe tem como uma das matérias-prima o milho. Por isso, o aumento no preço do grão, influenciado pela demanda aquecida, tem feito a indústria produtora de ração animal começar a se preocupar com o impacto no custo de produção. Segundo o Cepea, a baixa oferta no mercado fez o indicador ESALQ/BM&FBovespa chegar a R$ 47,49 por saca de 60 quilos na semana passada, alta de 9% na parcial de março.

 

De acordo com Felipe Amaral, diretor-executivo e responsável pela fábrica de ração animal do Grupo Ambar Amaral, empresa localizada em Santa Fé do Sul (SP), o custo de produção de ração para a piscicultura aumentou 20% nos últimos três meses. “O milho hoje é o que está impactando mais, não só na proteína do peixe, mas também na bovinocultura e avicultura”, afirma ele. “Não existe uma matéria-prima para substituir o milho e isso está preocupando todos os fabricantes de ração animal.”

 

A expectativa de Amaral é que, com a colheita da safrinha e a reposição dos estoques do grão, haja redução nos preços. Porém, ele acredita que até junho, quando deve ocorrer essa estabilização nas cotações do milho, ainda é possível o registro de novos aumentos. Se isso acontecer, ele prevê que o impacto no custo de produção da ração seja de até 15%.

 

O diretor-executivo da empresa explica que no cultivo de tilápia a ração precisa “flutuar”, algo que só é possível com a ração que contém milho, ingrediente que contém amido. Por esse motivo, é impossível pensar numa outra matéria-prima como alternativa e o jeito é aceitar o preço do produtor. “A situação fica preocupante porque a indústria de ração e os produtores de proteína precisam de milho e o agricultor está achando que milho é ouro.”

 

A salvação da Semana Santa

A sorte do piscicultor é que no período da quaresma a demanda aumenta com força no Brasil e permite que qualquer alta no custo de produção seja repassada para o consumidor. Nesse cenário, o problema deve começar para o setor quando a procura por carne branca voltar ao patamar tradicional. “Não sabemos como vai ser daqui a um mês, a dificuldade vai aparecer depois da quaresma”, diz Amaral “É um cenário de instabilidade.”

 

Nos últimos dois meses, o preço pago ao produtor pelo quilo da tilápia subiu de R$ 4,20 para R$ 4,50, aumentando entre 8 e 10%. Amaral diz que a alta foi menor em comparação com a observada na ração, mas acredita que a cotação da espécie deve alcançar R$ 4,80 em um curto espaço de tempo.

 

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