Alfafa: 9 dicas para obter sucesso no plantio e manejo da forrageira

Comum em países de clima temperado, a leguminosa vem sendo introduzida em áreas de clima tropical para alimentar vacas leiteiras

Diversificar a dieta dos bovinos e melhorar a conversão alimentar é um dos desafios para os pecuaristas. Para quem deseja investir em uma nova forrageira, a alfafa é uma boa opção. Geralmente utilizada como alimento para vacas leiteiras, o cultivo de alfafa é muito popular em países de clima temperado e cada vez mais está sendo introduzida em áreas de clima tropical.

 

De acordo com informações da Embrapa Gado de Leite, a alfafa pode ser utilizada em diferentes formas, tais como forragem conservada (feno ou silagem), na forma de matéria verde picada ou sob pastejo, obtendo-se em todos os casos excelentes resultados na produção de leite, tanto em regiões tropicais quanto em regiões temperadas.

 

1 – Clima ideal para o plantio

A alfafa se adapta bem ao clima tropical e subtropical e só não tolera solos encharcados, de acordo com informações do pesquisador da Embrapa Pecuária Sudeste, Reinaldo Ferreira. “A melhor época para a semeadura é entre os meses de abril e junho”, diz o pesquisador.

 

Boa parte do Piauí, do ocidente da Bahia, Minas Gerais, oriente do Maranhão e Roraima são regiões brasileiras com clima predominantemente tropicais e adequadas para o plantio, assim como o sul do estado de São Paulo, Paraná e o sul do Mato Grosso do sul, que possuem clima subtropical na maior parte do ano.

 

2 – Preparo do solo

Ferreira cita as principais características que o solo deve ter para que o plantio da alfafa seja bem sucedido. “A área deve ser plana, com solo de textura média, profundo, boa drenagem, sem camada de impedimento [compactação], possuir boa fertilidade natural ou construída, com altos níveis de matéria orgânica e com facilidades de irrigação.”

 

3 – Plantio

A alfafa da variedade Crioula deve ter prioridade para o plantio, pois é a mais adaptável para o Brasil. O espaçamento adequado para o plantio deve ser 20 centímetros entre linhas, usando 15 kg de sementes por hectare. Ferreira explica o procedimento inicial para realizar o plantio. “Deve-se aplicar metade da dose calculada de calcário e, posteriormente, já com o solo seco, destruir as camadas de impedimento por meio de um subsolador.”

 

4 – Manejo do solo

O procedimento de aração do solo deve ser realizado logo em seguida ao plantio, invertendo a leiva para colocar o corretivo em camadas mais profundas do solo, favorecendo, assim, o crescimento radicular da alfafa. “Sobre a terra arada, deve-se aplicar a metade restante do calcário e em seguida promover de duas a três gradagens, até se obter um solo bem destorroado”, afirma o pesquisador.

 

Antes da última gradagem, é necessário aplicar a lanço os adubos de manutenção da cultura. “Em solos mais argilosos, há a necessidade de se utilizar de enxada rotativa para melhorar o destorroamento do solo e, assim, melhorar o processo de semeadura da cultura”, diz Ferreira.

 

5 – Adubação

Quanto à adubação do solo, o pesquisador sugere para a calagem elevar e manter a saturação por bases para 80%. Ferreira também orienta sobre a utilização de fertilizantes. “Elevar e manter o teor de fósforo e do potássio em 20 mg dm-3 e 5% CTC respectivamente. Quanto ao nitrogénio, deve-se inocular as sementes com bactérias fixadoras [Sinorhizobium melilotti].”

 

6 – Irrigação

Como a alfafa é uma planta capaz de tolerar prolongadas épocas de seca, a necessidade de irrigação depende das condições de solo e clima. Para alcançar o seu pleno potencial, é necessário irrigar quando o solo começa a apresentar deficiência de água. O pesquisador aconselha irrigar quando a capacidade de campo for inferior a 70%.

 

7 – Controle de doenças

De acordo com Ferreira, as principais doenças que acometem a alfafa são a antracnose, a mancha das folhas, a ferrugem e o mosaico da alfafa. Segundo o pesquisador, para controlar esses problemas, o produtor pode fazer uso de cultivares resistentes e realizar um manejo racional do mato, para evitar plantas espontâneas que abrigam as mesmas pragas da alfafa. “A antecipação do corte ou do pastejo ajuda a controlar o aumento de determinada praga”, afirma o pesquisador.

 

8 – Áreas de refúgio e manejo de pragas

A preservação de áreas de refúgio diversificadas para inimigos naturais, assim como a utilização de inseticidas biológicos também são procedimentos recomendados por Ferreira. “É aconselhável o uso de inseticidas biológicos como a bactéria Bacillus thuringiensis para lagartas, os fungos Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae para vaquinhas e cigarrinhas”, diz.

 

Ferreira recomenda que seja evitado o uso de adubos nitrogenados de rápida disponibilização que deixam a planta mais suscetível ao ataque de insetos sugadores. “O excesso de água pode causar estresse nas plantas, deixando-as sem defesas para reagir ao ataque de pragas.”

 

9 – Adubação contínua

Para a adubação de manutenção, deve-se repor os elementos fertilizantes retirados pelas plantas durante o período de produção. Para acompanhar as necessidades de reposição de fertilizantes, seria de importância fazer a análise de solo e da parte aérea da cultura pelo menos uma vez por ano.

* Por Tainá Nunes, estudante de jornalismo com supervisão de Darlene Santiago.

 

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