Embrapa alerta para riscos de insegurança alimentar com morte de abelhas

A Embrapa Amazônia Oriental integrou o grupo de seis pesquisadores brasileiros que desenvolve projetos em benefício da sobrevivência de polinizadores

Os polinizadores tem enorme impacto da produção de alimentos, pois 75% da produção mundial depende do serviço de polinização que esses agentes prestam à agricultura, sem falar nos 90% de todas as plantas silvestres do globo que também tem dependência direta da polinização. Dentre estes, 20 mil espécies de abelhas tem um papel de destaque, uma vez que dependem de néctar e pólen para sua própria sobrevivência, sendo assim responsáveis pela polinização de 75% das plantas de polinização cruzada.

 

Por outro lado, em todo mundo, tem se registrado um declínio crescente no número desses animais, muitos deles, ameaçados de extinção. A fragmentação dos habitas com a supressão da vegetação nativa, o uso indiscriminado de agrotóxicos, problemas fitossanitários e o manejo inadequado de colônias de abelhas estão entre as causas do desaparecimento das espécies.

 

O alerta para os impactos que o declínio dos polinizadores pode ter sobre a alimentação humana e a biodiversidade mundial ecoou no final do mês de fevereiro, durante reunião da Plataforma Intergovernamental de Biodiversidade e Serviços Ecossistêmicos (IPBES) com os tomadores de decisão dos países signatário, para a apresentação da Avaliação Temática sobre “Polinização, polinizadores e produção de alimentos”, divulgado durante a 4ª Sessão Plenária da IPBES, em Kuala Lumpur, na Malásia.

 

A Embrapa Amazônia Oriental por meio da pesquisadora Márcia Maués, integrou o grupo de seis pesquisadores brasileiros que se somou aos 77 especialistas dos diversos continentes que integraram a iniciativa internacional. Criada em 2012 nos moldes do IPCC (Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas), a plataforma internacional tem a função de sistematizar todo conhecimento científico acumulado sobre o tema e conta com representantes de 124 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU).

 

O documento é o primeiro de uma série de diagnósticos sobre o status da biodiversidade no planeta previstos para serem divulgados pelo IPBES até 2019, no intuito de nortear políticas públicas mundiais. O documento final ainda permanece sigiloso do grande público e dever ser divulgado nos próximos dias.

 

No Brasil, ações para estudo, conservação e uso das abelhas no Brasil vêm sendo desenvolvidas há décadas pela comunidade científica. A expectativa é que a divulgação do relatório contribua para o despertar dos governantes à essa causa e com isso, que sejam intensificadas as políticas públicas de apoio às pesquisas científicas, conservação, manejo e uso sustentável de polinizadores no Brasil. Em todas as regiões do país existem grupos e pesquisadas que contribuem ativamente para ampliar o conhecimento das abelhas brasileiras.

 

Para a pesquisadora Márcia Maués é fundamental chamar a atenção para o papel dos polinizadores na produção de alimentos, na preservação das espécies e na biodiversidade. “O dever de casa após a publicação do documento é que isso seja multiplicado, replicado, com os governos dos países signatários, para servir como suporte às politicas pública de proteção aos polinizadores, de práticas que sejam amigáveis a esses animais, que são à base de todo processo ecológico”, enfatizou a pesquisadora. O relatório do IPBES demonstrou ao mundo que os polinizadores têm importância econômica, social e cultural!

 

Embora de reconhecida importância, pouco se sabe sobre esses animais. Atualmente, 244 abelhas nativas já foram catalogadas em todo território nacional, das quais, 120 delas, ou seja, 50% estão no Pará. Em Belém, a Embrapa estuda 20 diferentes espécies de abelhas. Por meio das pesquisas já é possível indicar a biologia, as relações sociais e importância econômica de parte desses insetos para culturas diversas como açaí, castanha-do-brasil, cupuaçu, acerola, entre outros.  Márcia Maués enfatiza que as abelhas são primordiais à diversidade de frutos amazônicos. “Praticamente todas as frutas que consumimos, admiramos e que fazem parte de nossa dieta e cultura dependem da polinização. Os serviços ambientais desses animais, em especial, as abelhas, impactam diretamente na produção, sejam em volume ou na qualidade de vitaminas e nutrientes essenciais à nossa saúde, mas o consumidor não faz essa relação e muitas vezes pensa que abelha só produz mel, o que nem todas fazem, como é o caso das abelhas solitárias, e ignora sua importância ecológica”, explica a pesquisadora.

 

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