Fantasia Imperatriz Leopoldinense 2017

Agronegócio se defende de crítica de escola de samba do Rio de Janeiro

A SRB, junto com outras entidades do setor, está se mobilizando para se defender de uma possível mensagem equivocada

A escola de samba Imperatriz Leopoldinense, do Rio de Janeiro, vai desfilar na Sapucaí no Carnaval 2017 em defesa dos índios com o enredo “Xingu o clamor que vem da floresta”. A letra do samba exalta as belezas naturais brasileiras, a cultura indígena e a luta por terras. Ainda não se sabe como o agronegócio será apresentado ao público na Sapucaí, mas as informações encontradas no site da escola de samba dão sinais de crítica ao setor. Um exemplo disso são as alas “fazendeiro e seus agrotóxicos” e a “doenças e pragas”, que aparentemente vão criticar a aplicação de defensivos químicos.

 

Na primeira semana de janeiro, algumas entidades do setor já se posicionaram em defesa do agronegócio. Segundo Gustavo Junqueira, presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), é irresponsável criar uma imagem do agronegócio brasileiro como vilão. “É completamente conflitante com o que o Brasil quer fazer, que é mostrar para o mundo a sua capacidade de proteger florestas, a cultura e, ao mesmo tempo, produzir alimentos”, diz Junqueira.

 

Campanha em defesa do agronegócio no Carnaval 2017

A SRB, junto com outras entidades do setor, já está se mobilizando por meio de financiamento coletivo para organizar uma campanha para o Carnaval. Segundo  Junqueira, o objetivo é se defender da possível mensagem equivocada que pode ser transmitida durante o evento. “Nós precisamos ter uma defesa consciente da proteção do meio ambiente, mas, não se pode de maneira nenhuma precisar denegrir outro setor”, diz o presidente da SRB.

 

Para ele, esse não é o momento de protestar contra a escola de samba, mas, sim, de defender o agronegócio. “Estamos preocupados por ser uma mensagem equivocada. A verdade precisa ser apresentada”, diz Junqueira. Ele afirma que o objetivo da campanha é fazer uma propaganda para mostrar os pontos positivos do setor. No momento, a SRB está levantando recursos para a campanha de valorização do setor na mídia.

 

Pecuaristas em defesa do setor

Nesta sexta-feira (06/01), a Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ) publicou uma nota oficial em repúdio ao samba-enredo e as demais peças publicitárias divulgadas pela escola Imperatriz Leopoldinense para o Desfile de Carnaval de 2017. “Ao criticar duramente o agronegócio, o grupo mostra total despreparo e ignorância quanto à história brasileira e à realidade econômica e social do país”, diz Arnaldo Manuel Machado Borges, presidente da ABCZ.

 

Ele ainda disse que a ABCZ se sente responsável a vir a público para reforçar o compromisso de seus 21 mil associados de produzir cada vez mais carne e leite com práticas sustentáveis e seguras. “Inaceitável que a maior festa popular brasileira, que tem a admiração e o respeito da nossa classe, seja palco para um show de sensacionalismo e ataques infundados pela Escola Imperatriz Leopoldinense. O setor produtivo e a sociedade não podem ficar calados diante a essa injustiça. É preciso que o Brasil e os brasileiros não só enxerguem e reconheçam a importância do nosso setor, como se orgulhem dessa nossa vocação de alimentar o mundo”, afirmou Borges.

 

Tecnologia vista com maus olhos

De acordo com o conteúdo divulgado pela escola de samba, o uso de agroquímicos deve ser o principal alvo de crítica durante o desfile. Segundo Junqueira, uma ala que liga os fazendeiros aos produtos químicos faz uma análise simplista do que o agronegócio brasileiro exige. “Qualquer atividade agrícola exige tecnologia”, afirma Junqueira. Ele cita como exemplo os solos fracos, que precisam de fertilizantes e as muitas pragas e doenças que prejudicam as lavouras e que devem ser combatidas com os defensivos químicos.

 

Junqueira ainda defende que os produtores estão sempre dispostos a adotar tecnologias mais sustentáveis. Ele cita como exemplo o controle biológico, tecnologia capaz de reduzir o uso de produtos químicos. “Tudo isso colocado em uma análise simplista e folclórica para uma população urbana, que não entende as atividades, é leviano. Também é uma irresponsabilidade porque estamos tentando abrir novos mercados e conquistar consumidores no mundo.”

 

Nesta sexta-feira (06/01), a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) também se posicionou contra a atitude da escola de samba Imperatriz Leopoldinense. “Ao contrário do que a escola de samba quer mostrar, o agronegócio tem toda sua importância, pujança e conscientização – adotando constantemente práticas socioambientais -, contribuindo para melhorar a vida de populações no Brasil e em todo o nosso planeta”, diz José Mário Schreiner, presidente do Sistema Faeg. “O tempo e o trabalho gastos para produzir e propagar esse tipo de ações deveriam ser utilizados para levar informações corretas à população, que mostrem realmente o que acontece na relação entre campo e cidade.”

 

A Associação Brasileira de Marketing Rural & Agronegócio (ABMRA) se manifestou contra o samba enredo da escola de samba do Rio de Janeiro por meio de uma nota oficial. Segundo a associação, quem denigre a imagem do agronegócio não conhece sua importância para a produção de alimentos. “Não se está com essa nota de repúdio diminuindo a importância das questões indígenas, que devem ser no sentido de preservar suas reservas, sua história e suas tradições. No entanto, não se pode culpar o setor Agro e, de forma generalizada, como pretende a escola de samba, mostrando ainda essa distorção para o mundo todo”, afirma a ABMRA. “Como uma associação que busca a valorização do Agro brasileiro, a ABMRA coloca-se de forma veemente contrária às inverdades e generalizações trazidas pela referida escola de samba e se põe à disposição para o esclarecimento e o debate de temas relevantes sobre o Agronegócio, o mais importante setor econômico do país.”

 

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