Agricultora. Produtora rural.
DATA: 17/12/2016

Agora é que são elas

Mulheres se mobilizam para valorizar a presença feminina no campo Naiara Araújo

Depois que um trator cor de rosa foi entregue na Fazenda Bordin, em de São Martinho da Serra (RS), Andressa Bordin se sentiu mais representada no campo. Aos 26 anos, a produtora rural faz de tudo um pouco nas lavouras de arroz e soja. Desde arar a terra, plantar, aplicar defensivos químicos até colher, atividade que começou a aprender no ano passado.

 

Assim como outras mulheres que atuam no agronegócio, Andressa já ouviu que lugar de mulher não é na lavoura. Porém, como gosta do que faz, ela não só continuou no campo como também comprou um trator cor de rosa em sinal de empoderamento. O modelo P80 da LS Tractor não veio de fábrica na cor rosa, mas o desejo da produtora foi realizado com o envelopamento da máquina. “O trator foi um incentivo para mim, porque eu sempre gostei da lavoura e queria uma coisa diferente que não fosse só para os homens, mas que fosse para a mulher também”, conta Andressa.

 

Segundo ela, os vizinhos da fazenda não acreditavam que ela fazia os trabalhos de campo. Agora, com o trator cor de rosa, todos enxergaram que ela trabalha com afinco na propriedade. “Eu estou recebendo mensagens de mulheres dizendo que estão se inspirando na minha história e fico feliz pelo reconhecimento”, conta Andressa. Embora a produtora gaúcha esteja satisfeita com o seu trator rosa, as mulheres do agronegócio têm muitos outros desejos.

 

Afinal, o que querem as mulheres?

No campo brasileiro, esse mistério parece que já foi desvendado. Uma pesquisa divulgada em outubro pela Associação Brasileira do Agronegócio (Abag) analisou o perfil das mulheres do agronegócio e ficou claro que elas se dedicam ao setor tanto quando os homens, mas ainda falta reconhecimento. Além disso, elas estão dispostas a buscar capacitação para se destacar nas atividades agropecuárias.

 

De acordo com o estudo, que ouviu 301 mulheres, 60% das entrevistadas têm curso superior, 25% delas fizeram pós-graduação e 88% são independentes financeiramente. Na ESALQ/USP, uma das principais instituições de ciências agrárias do Brasil, a presença feminina cresceu e as mulheres já ocupam metade das vagas disponibilizadas pela unidade de ensino, segundo a engenheira agrônoma e ex-aluna Camila Felli.

 

Camilla, por exemplo, comanda a produção de grãos da família na Fazenda Piracicaba, em Balsas (MA), mas se queixa de falta de confiança de outros profissionais. “Sou a única mulher na parte do campo e vejo que lá eu tenho dificuldade com o gerente-geral e com o gerente-agrícola. Por mais que eu seja formada em agronomia, eles são homens mais tradicionais e têm mais dificuldade em aceitar a minha opinião”, diz Camila.

 

* Essa é uma versão parcial da reportagem publicada na revista Farming Brasil. 

 

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