DATA: 03/12/2015

Abiove projeta safra de soja em 98,6 milhões de toneladas para 2016

Se o patamar for atingido, o que depende das condições climáticas, o crescimento será de 3,6% em relação à colheita de 2015

Em 2015, a sojicultura brasileira continuou contribuindo para a economia nacional com taxas de crescimento importantes na produção e na exportação. A Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), cujas empresas processam 60% da soja produzida no País, projeta mais um ano de safra recorde.

 

Em 2016, a safra estimada, de 98,6 milhões de toneladas, dependerá das condições climáticas, ainda incertas. Se esse patamar for atingido, o crescimento será de 3,6% em relação à colheita de 2015. A produção de farelo está projetada em 30,7 milhões de toneladas, aumento de 1% ante a produção em 2015, e a de óleo, em 8,0 milhões de toneladas, crescimento de 1,3%.

 

Já para as exportações, a Abiove prevê embarques de soja em grão de 53,8 milhões de toneladas, aumento de 1,5% na comparação com o resultado em 2015. Quanto ao farelo, a expectativa é que as vendas externas sejam semelhantes às de 2015 (15,2 milhões de toneladas). As exportações de óleo deverão ficar em 1,47 milhão de toneladas, crescimento de 5%.

 

O Brasil deverá fechar 2015 com a produção de 95,2 milhões de toneladas de soja, um aumento de 10,2% na comparação com a safra anterior. A produção de farelo está estimada em 30,4 milhões de t e a de óleo, em 7,95 milhões de t. O processamento de soja, neste ano, deve atingir 40,1 milhões de toneladas, mais 6,6% em relação a 2014. Em 2016, o esmagamento da oleaginosa, de 40,5 milhões de toneladas, deve mostrar uma pequena variação positiva de 1% ante 2015.

 

Em 2015, a exportação de soja deve atingir 53 milhões de toneladas, um crescimento de 16% em relação à safra de 2014.  As vendas externas de farelo estão previstas em 15, 2 milhões de toneladas, crescimento de 10% na comparação com 2014. Já os embarques de óleo devem somar 1,4 milhão de toneladas, ampliação de 8%.

 

Mesmo com câmbio favorável, as vendas externas do complexo soja deverão totalizar, em 2015, US$ 26,74 bilhões, um recuo de 15% ante os US$ 31,4 bilhões contabilizados em 2014. O principal fator é a queda nas cotações internacionais da oleaginosa, motivada por safras recordes nos EUA e no Brasil. A queda dos preços é expressiva: 25% na soja em grão, 28% no farelo e 17% no óleo.

 

A China liderou as compras brasileiras, com 39,49 milhões de toneladas (75% das exportações totais da commodity) de soja em grão. A China aumentou em 21% suas importações da soja brasileira. A União Europeia, mesmo com queda de 12% em suas compras da oleaginosa produzida no Brasil, representa 10% das exportações do grão. O Sudeste Asiático, que vem ampliando sua demanda em 30%, representa 8,5% das vendas externas da oleaginosa.

 

Farelo

A União Europeia continua como principal comprador, com 7,04 milhões de t. A UE reduziu em 5% suas compras de farelo de soja do Brasil, mas ainda absorve 46% do volume expedido pelo País. O Sudeste Asiático é o segundo importador, com 4,43 milhões de t. A região elevou as compras do produto brasileiro em 22% e já representa 29% do volume total exportado pelo Brasil.

 

Óleo

Os três principais importadores são Sudeste Asiático, com 835 mil t, China, com 207 mil t, e África, com 162 mil t. Sessenta por cento (60%) das exportações de óleo de soja têm como destino os países do Sudeste Asiático, cujo crescimento, no período, foi de 69%. A China, que diminuiu em 39% o volume de óleo de soja importado do Brasil, absorve 15% das exportações brasileiras do produto. A África, com acréscimo de 25% nas importações do óleo de soja do Brasil, participa com 12% do total do volume exportado.

 

O consumo interno de óleo e de biodiesel, segundo a Abiove, sofreu uma retração no consumo de óleo de soja para fins alimentícios da ordem de 2%. Em 2015, também houve redução semelhante no consumo de diesel, o que implica queda proporcional do consumo de biodiesel. Contudo, houve aumento da proporção de óleo de soja usado na fabricação desse biocombustível. Por isso, registra-se estabilidade nas vendas de óleo para o mercado de biodiesel.

 

A economia da China tem crescido em níveis elevados (entre 6% e 7% ao ano). O país é a segunda economia mundial e, portanto, esse crescimento percentual representa um forte aumento de renda em bases anuais. Outros fatores importantes a serem levados em conta pelos exportadores brasileiros de soja são a urbanização de mais 243 milhões de pessoas até 2025 e o aumento do consumo per capita de proteína animal em cerca de 40%. Esses elementos permitem concluir que a China continuará importando farelo de soja e milho para atender à produção doméstica de proteínas.

 

O caos logístico foi deixado de lado, isso porque se implementou um sistema de agendamento de entrega de caminhões em Santos (SP), à semelhança do que já foi feito em Paranaguá (PR). Isso evitou a formação de filas e congestionamentos. Neste ano, houve a fusão entre a ALL e a Rumo. Espera-se, com isso, que os investimentos em curso e a mudança na gestão tragam aumento da produtividade da ferrovia, que tem acesso aos portos de Santos, Paranaguá, São Francisco do Sul e Rio Grande.

 


Comente essa notícia.

Faça seu cadastro ou login gratuito para enviar comentários.

Leia mais