Abelhas: manejo apícola eleva em 70% a produção de mel

Apiário Experimental da A.B.E.L.H.A. confirma que gestão de qualidade e adoção de boas práticas de manejo são essenciais para a produtividade das colmeias

A Associação Brasileira de Estudo das Abelhas (A.B.E.L.H.A.) divulgou os resultados iniciais de seu Apiário Experimental, iniciativa que teve início em novembro de 2016. O projeto está localizado no município de Itatinga (São Paulo), região de maior produção de eucalipto do Estado, e que concentra apicultores dedicados à produção de mel. Entre eles, José Maurício Ambrósio do Amaral, parceiro da A.B.E.L.H.A. na iniciativa. A vegetação, em um raio de 3 km do Apiário, é composta por plantações de eucalipto, mata nativa e pastagem.

 

Boas práticas

Os dados preliminares apontam que a adoção de boas práticas no manejo das colmeias tem impacto direto na produtividade e, portanto, na lucratividade do produtor. Enquanto a média nacional de produção por colmeia é de 18 kg de mel (dados da Embrapa), as colmeias do Apiário Experimental que receberam ações de manejo produtivo apresentaram média de 62 kg/colmeia.

 

Ana Assad, diretora-executiva da A.B.E.L.H.A afirma que a ideia do Apiário surgiu para que fosse possível demonstrar aos apicultores que não é necessária nenhuma ação mirabolante para alcançar níveis mais altos de produtividade. “Quando a atividade é desenvolvida com o objetivo de gerar renda, seu retorno financeiro depende diretamente da localização dos apiários, da gestão das atividades apícolas no campo e das práticas aplicadas no manejo das colmeias, ou seja, do conhecimento que o apicultor possui sobre as abelhas”, diz.

 

Como funciona o apiário experimental?

O Apiário Experimental da A.B.E.L.H.A. possui 20 colmeias, que foram divididas em dois grupos de 10 colmeias cada. Todas foram obtidas por meio de divisões de colmeias altamente populosas do plantel do apicultor. No grupo A foram estabelecidas ações de manejo produtivo atreladas a um calendário de atividades apícolas em campo. Já o grupo B não recebe as ações de manejo produtivo, sendo mantido sem intervenções. Sob a supervisão da entomologista Kátia Aleixo, consultora da A.B.E.L.H.A., o Apiário deverá ser migratório, para acompanhar as grandes floradas da região.

 

Troca de Rainhas

Duas ações de manejo produtivo foram aplicadas para diferenciar os dois grupos. As rainhas das 20 colmeias foram trocadas após as divisões dos enxames, porém o grupo A recebeu rainhas selecionadas a partir das melhores colmeias. Dentre as que mais produziram mel na safra passada, foram selecionadas as colmeias menos defensivas, as quais forneceram larvas para a produção de rainhas. Portanto, as rainhas introduzidas no grupo (A) detinham as características genéticas de alta produção da rainha e baixa agressividade das operárias. Já as rainhas do grupo (B) foram “puxadas” naturalmente, sem seleção.

 

Alimentação suplementar

Outro aspecto que diferenciou os dois grupos foi a alimentação suplementar, para estimular o crescimento populacional anterior à florada de eucalipto. Assim, enquanto as colmeias do grupo B não receberam suplementação alimentar, as do grupo (A) foram tratadas com xarope de açúcar invertido e uma ração proteica comercializada para o mercado apícola.

 

Principais resultados

Foram efetuadas três coletas de mel da florada de eucalipto, uma no início de março e outras duas no início de abril e maio de 2017. As ações de manejo produtivo geraram efeitos positivos na produção média de mel nas colmeias do grupo (A), e não foi verificada diferença no número de colmeias produtivas entre os dois grupos. Entendem-se como colmeias produtivas aquelas que contenham favos estocados com mel em células operculadas, chamado popularmente de mel maduro;

 

A diferença marcante entre os dois grupos foi na produção total, refletida na quantidade de melgueiras retiradas em cada grupo, e, consequentemente, na produção média das colmeias. Enquanto no grupo (A) foi coletado um total de 624 Kg de mel, no grupo (B) foram coletados 373 Kg. As colmeias produziram, respectivamente, uma média de 62 Kg (grupo A) e 37 Kg (grupo B) de mel.

 

Levando em conta o preço de R$ 12,20 para o quilo do mel comercializado em Itatinga, o apicultor elevaria seu ganho financeiro em R$ 3.062,20 com três coletas de mel em um único apiário seguindo as boas práticas de manejo apícola. A margem do produtor será proporcional ao número de apiários que disponha, e pode ser potencializado pelas floradas da região, quando pode atingir até seis coletas de mel no ano.

 

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