Milho

Milho: saiba como escolher a melhor cultivar para a sua lavoura

Saiba como avaliar as sementes mais produtivas e indicadas para a região da sua fazenda

Na safra 2015/16, estão disponíveis no mercado um total de 477 cultivares de milho, de acordo com um levantamento da Embrapa Milho e Sorgo, localizada em Sete Lagoas (MG). Desse total, são 284 cultivares transgênicas e 193 cultivares convencionais.

 

Escolher a melhor variedade para a lavoura não é tarefa fácil. O produtor precisa pesquisar atentamente, levando em consideração as sementes que são adaptadas ao clima da sua região, além de analisar o potencial produtivo e o custo benefício da variedade.

 

“A semente é o principal insumo de uma lavoura e a escolha correta da semente deve merecer toda atenção do produtor que deseja ser bem-sucedido em seu empreendimento”, diz o pesquisador da Embrapa Milho Emerson Borghi. Confira informações que ajudam a tomar uma decisão mais consciente:

 

1 – Não faltam opções de sementes

Do total de 477 sementes disponíveis no mercado, 323 são de fato materiais genéticos diferentes e os demais 154 são variações de eventos transgênicos. Analisando apenas estas 323 cultivares, que oferecem genética distinta, a predominância é de híbridos simples (HS), modificados ou não, com 60,07%. Os híbridos triplos (HT), modificados ou não, respondem por 18,57% do mercado; híbridos duplos (HD), com 9,91%, e as variedades, híbridos intervarietais e “Top Cross” respondem por 11,45% das opções de mercado.

 

2- Saiba como fazer a melhor escolha

De acordo com o pesquisador Alexandre Ferreira da Silva, o produtor deve observar as características dos materiais mais adaptados às condições regionais, principalmente em relação ao potencial produtivo, estabilidade, resistência a doenças, adequação ao sistema de produção em uso e ao clima. “Estes são fatores-chave para que o material possa expressar seu máximo potencial produtivo”, diz o pesquisador da Embrapa Milho e Sorgo.

 

3 – Estabelecendo prioridades

A prioridade do produtor deve ser escolher cultivares adaptadas à sua região. A partir dessa triagem, ele deve analisar o potencial produtivo e o custo da semente de acordo com a sua expectativa de produtividade. A produtividade, por sua vez, deve ser mensurada levando em consideração a época de semeadura e as tecnologias aplicadas na lavoura, como por exemplo o nível de adubação e os tratos fitossanitários.

 

4 – Variedades resistentes

De acordo com Borghi, atualmente há 284 cultivares de milho resistentes a insetos da ordem lepidóptera ou com resistência a herbicidas e a oferta de sementes está avançando consideravelmente.

 

Quando se fala em cultivares transgênicas que oferecem tecnologias combinadas, para o controle de lagartas e também com resistência ao herbicida, por exemplo, havia apenas 38 cultivares na safra 2012/2013. Este número passou para 65 cultivares na safra 2013/14, avançou para 101 tipos de sementes na safra 2014/15, agora, na safra atual (2015/2016) estão disponíveis 115 variedades.

 

“As possibilidades são muitas e o produtor deve sempre analisar, por meio do monitoramento constante, quais são as limitações da área”, afirma Borgui. Segundo o pesquisador, o histórico de plantas daninhas, pragas, doenças e fertilidade de solo são essenciais para que o produtor escolha a variedade ideal.

 

5 – Avalie o potencial produtivo da semente

Após selecionar cultivares indicadas para uma mesma região e clima, o produtor pode avaliar o potencial produtivo. As sementes são identificadas como híbridos, que podem ser simples, triplos ou duplos, ou variedades.

 

Os híbridos simples são produzidos a partir do cruzamento de duas linhagens puras e oferecem o maior potencial produtivo, se comparado com os demais tipos de sementes de milho. Geralmente, os híbridos simples são indicados para lavouras de alta tecnologia e custam mais caro.

 

Já o híbrido triplo (cruzamento entre linhagem pura e híbrido simples) e o híbrido duplo (cruzamento entre dois híbridos simples) são indicados para plantações consideradas com média a alta tecnologia.

 

Desde todas essas opções, a variedade de milho é a que oferece o menor potencial produtivo. Porém, por ser composta por um conjunto de características comuns, é material geneticamente estável que pode ser multiplicado e utilizado por várias safras sem perdas de potencial.

 

6 – Diversifique as cultivares

Segundo os especialistas, semear diferentes cultivares em uma mesma propriedade é uma estratégia interessante. “O produtor pode diversificar a base genética de sua lavoura favorecendo o manejo fitossanitário, além de adequar o posicionamento dos materiais de acordo com as características do talhão e a época de semeadura, levando sempre em consideração a relação custo-benefício”, diz o pesquisador Ferreira da Silva.

 

A recomendação é que o produtor utilize mais de um material e no caso de utilização de sementes transgênicas Bt, ele deve utilizar, obrigatoriamente, cultivares transgênicas e convencionais na propriedade.

 

7 – Não se esqueça da área de refúgio

Se o produtor optar uma semente com tecnologia transgênica resistente a insetos-praga, não pode deixar de adotar áreas de refúgio. A adoção de área de refúgio é extremamente importante para manter a população de pragas da lavoura sensíveis à toxina Bt. Se o refúgio não for adotado, as pragas se tornam resistentes e a tecnologia perde eficácia. “O refúgio, quando feito de maneira correta e seguindo as orientações técnicas, ajuda a preservar a tecnologia e, desta maneira, tende a reduzir a aplicação de inseticidas em milho Bt”, afirma o pesquisador Emerson Borghi. A Embrapa possui um boletim gratuito de recomendação de uso que esclarece sobre o plantio de milho transgênico Bt. Para acessar o boletim, clique aqui.

 

8 – Busque ajuda

O produtor deve ouvir o que as fornecedoras de sementes têm a dizer, porque geralmente essas empresas indicam as cultivares mais adequadas para cada região e finalidade, o que facilita a tomada de decisão. Outra dica é considerar a experiência prévia no semeio de determinada cultivar na fazenda ou relatos de produtores vizinhos. Segundo Borghi, também é interessante que o produtor participe de dias-de-campo, palestras e acompanhe os ensaios regionais de cultivares. “Estas informações são estratégicas na definição do melhor material que se adapta às condições da sua propriedade. Além disso, com várias opções, fica mais fácil escolher o material em relação ao custo e ao potencial de produtividade almejado”, afirma o pesquisador.

 

9 – Não compre semente pirata

Sementes fornecidas por empresas licenciadas ao Ministério da Agricultura devem ser priorizadas pelo produtor, porque esses fornecedores são obrigados a vender sementes com alto poder de germinação e vigor. Quando isso não ocorre, o produtor pode exigir a troca imediata das sementes adquiridas.

 

Já as sementes vendidas por empresas não licenciadas, muitas vezes com preços abaixo do valor de mercado, podem trazer sérios prejuízos ao produtor. “Estas empresas, por trabalharem irregularmente, não garantem sementes com o mesmo potencial de germinação e vigor”, afirma Borghi. “Se houver problemas de população de plantas em virtude de falhas na germinação, ele não terá a quem recorrer.”

 

 

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