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DATA: 10/02/2016

6 Doenças infecciosas que mais prejudicam os rebanhos bovinos

Enfermidades têm causado redução nos índices de reprodução dos animais

A bovinocultura é considerada um dos principais destaques do agronegócio brasileiro e é responsável por segmentos importantes e lucrativos, como a cadeia produtiva da carne. Mato Grosso tem hoje o maior rebanho da história do Estado com mais de 29 milhões cabeças de gado. Porém, grandes perdas financeiras ainda ocorrem por falhas reprodutivas, tornando-se necessário o conhecimento das principais causas e as medidas que podem ser tomadas para evita-las.

 

Com o novo Certificado Zoossanitário Internacional (CZI) para exportação de bovinos para reprodução do Brasil para a Bolívia, a Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato) busca orientar os produtores rurais do Estado sobre a importância dos cuidados com as doenças infecciosas que interferem na reprodução de bovinos e provocam perdas econômicas.

 

As doenças infecciosas que afetam a reprodução de bovinos com maior frequência são brucelose, leptospirose, campilobacteriose genital bovina, tricomonose, rinotraqueíte infecciosas bovina (IBR) e a diarreia viral bovina (BVD). As principais manifestações das doenças são aborto, repetição de cio, morte embrionária e nascimento de bezerros fracos e teratogenia (má formação).

 

Marcos Carvalho,  médico veterinário e analista de pecuária da Famato, alerta para os cuidados com a vacinação e manejo das fêmeas, de maneira adequada para que estejam em boas condições na fase de reprodução. “Com manejo sanitário adequado e avaliações periódicas do rebanho com profissional especializado para realização de diagnósticos de gestação e vacinação ideal para cada situação, principalmente antes da época de monta dos animais, é possível reduzir e até impedir contaminações dos bovinos.”

 

Uma das exigências técnicas-operacionais para exportação de bovinos vivos do Brasil para a Bolívia são os exames dos animais para doenças reprodutivas. Sendo assim, a Famato aponta as principais consequências de cada doença infecciosa e as maneiras de preveni-las.

 

1 – Brucelose

A brucelose atinge bovinos de todas as idades e de ambos os sexos, principalmente os sexualmente maduros. Ela causa abortos, retenções da placenta, metrites, subfertilidade e infertilidade e nascimento de animais fracos. A vacinação com vacina B19, em fêmeas entre três a oito meses, geralmente é eficiente para prevenir o aborto, além de aumentar a resistência à infecção, mas não imuniza totalmente o rebanho nem possui efeito curativo. Por isso é importante fazer o exame em todas as vacas para identificar e eliminar as soros positivas. Essa é a última etapa para conseguir ter uma propriedade livre de brucelose.

 

2 – Diarréia viral bovina

A diarréia viral bovina doenças infecciosasdoenças infecciosas (BVD) está amplamente difundida nos rebanhos de leite e corte. A infecção pelo BVD tem sido associada a uma ampla variedade de manifestações, que incluem desde infecções sem manifestação aparente até enfermidades altamente fatais, como a Doença das Mucosas (DM). Doença respiratória, gastroentérica, trombocitopenia e hemorragias, e quadros crônicos de imunossupressão estão entre as manifestações clínicas da infecção.

 

A infecção de fêmeas gestantes pode resultar em perdas embrionárias e fetais, como reabsorção embrionária, abortos, mumificações, malformações congênitas, natimortalidade e o nascimento de bezerros fracos. A infecção fetal entre 90 e 120 dias de gestação pode resultar na produção de animal permanentemente infectado, reservatório de doença, contaminando os outros animais susceptíveis do rebanho. O diagnóstico da infecção pode ser realizado em exames sorológicos.

 

O controle de BVD é mais efetivo com o uso da vacinação contendo o vírus inativo, também deve ser considerado o histórico clínico, virológico e o risco de introdução do agente no rebanho.

 

3 – Rinotraqueíte infecciosa bovina

A rinotraqueíte infecciosa bovina (IBR) é transmitida pelo herpesvírus-1 que provoca um quadro de traquíte, conjuntivite, febre, vulvovaginite pustular, aborto e balanopostite. A transmissão da doença ocorre facilmente devido a grandes quantidades de vírus que são eliminadas com as secreções respiratórias, oculares e genitais dos animais infectados. Não há tratamento disponível, pois se tratar de uma infecção viral.

 

O melhor controle é a vacinação das novilhas e fêmeas adultas, o que deve acontecer no início da estação reprodutiva. Cuidados especiais com alimentação de boa qualidade, suplementos minerais e vitaminas melhoram a imunidade dos animais.

 

4 – Leptospirose

A leptospirose é outra bactéria que afeta a reprodução de bovinos e causa perdas por abortos, além de infecções disseminadas pelo organismo. O tratamento com diidroestreptomicina impede que a doença se propague pelo organismo do bovino. A vacinação preventiva deve iniciar em todas as novilhas jovens, seguidas de vacinações semestrais, sendo uma antes da estação de monta e outra depois.

 

5 – Tricomonose

A tricomonose é uma infecção causada por protozoários, sexualmente transmitida, afeta as fêmeas em idade reprodutiva e nos machos não apresenta nenhuma manifestação clínica. Causa morte embrionária, aborto, endometrite, piometra ou feto macerado. Entretanto, por ser uma doença venérea, ou seja, sexualmente transmissível, o tratamento mais eficaz é o uso da inseminação artificial com o sêmen de reprodutores isentos da enfermidade.

 

6 – Campilobacteriose

A campilobacteriose também é uma doença venérea, que não causa nenhum mal aos touros, mas gera inflamações no trato genital das vacas, podendo levar à infertilidade. Em casos especiais, os bovinos podem ser tratados com estreptomicina. A principal medida é o uso de inseminação artificial como tratamento de eleição, já que na monta natural o touro contaminado propaga a doença.

 

Carvalho também chama a atenção para o período de estação de monta, em que os cuidados são redobrados, sendo assim é possível prevenir as doenças. “O estabelecimento de um manejo com estação de monta pode contribuir para o controle de tricomonose e campilobacteriose, pois facilita o descanso sexual das fêmeas”, diz. “Este descanso sexual permite às vacas desenvolver uma boa imunidade contra as doenças.”

 


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