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DATA: 28/02/2016

6 dicas para começar a criar suínos

Momento atual é bom para quem quer investir na suinocultura Naiara Araújo

No cenário atual, o produtor de suínos enfrenta uma fase de altos custos e preços da carne de suínos em patamares menores. Isso se configura numa menor lucratividade, porém, o momento não impede que novos produtores entrem na atividade. Segundo Elsio Figueiredo, pesquisador da Embrapa Aves e Suínos, o contexto atual é um bom momento para começar a criar suínos. “É um cenário cíclico e logo depois vem a baixa [de custos]”, afirma.

 

Segundo ele, quem iniciar a atividade no momento atual, de menor rentabilidade, depois que o mercado se estabilizar terá facilidade em se manter no negócio. Confira a seguir algumas orientações para quem está começando na suinocultura.

 

1 – Os primeiros passos na suinocultura

A primeira coisa a se fazer é realizar um estudo de mercado, que poderá dar as primeiras direções para o negócio. Na sequência, é preciso solicitar o licenciamento da área e da instalação da atividade. Para conseguir a documentação, o produtor precisa procurar os órgãos públicos nas esferas ambiental, fiscal e sanitária.

 

Figueiredo diz que, em geral, todos os tipos de produção exigem licença ambiental, mas para cada tipo de produção existe uma orientação específica. “Se o suinocultor deseja produzir reprodutores, além da licença ambiental ele necessita de uma Granja Certificada de Reprodutores Suínos – GCRS no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, além das licenças municipais e estaduais que autorizam ele a produzir, comercializar e transportar.”

 

Já no caso de engorda de leitões em parceria, o suinocultor precisa apenas de licença ambiental para produção de animais de engorda. “Cada tipo de licença exige um tipo de instalação física e um plano de manejo dos animais e dos resíduos”, diz o pesquisador.

 

2 – Pequena, média ou grande

O pesquisador da Embrapa Aves e Suínos conta que a área necessária para instalação de granjas de suínos está relacionada com o volume de produção e a distância regulamentar exigida na licença ambiental. “As pocilgas e unidades de tratamento de dejetos devem estar distante, no mínimo, 50 metros das residências, estradas e outras instalações”, diz.

 

Atualmente, a tendência é de crescimento nas áreas por causa da necessidade de biossegurança, que exige o isolamento dos planteis. Elsio diz que existem granjas pequenas, de 6, 12 e 24 hectares, assim como existem granjas médias com 12 ou 24 hectares e granjas grandes em áreas de 24 hectares ou mais.

 

“Uma classificação mais antiga definia granjas pequenas com aquelas com até 60 matrizes em ciclo completo, granjas médias entre 60 e 200 matrizes em ciclo completo e granjas grandes com mais de 200 matrizes em ciclo completo”, conta o pesquisador. “Essa classificação mudou em função de que, atualmente, não existe muito ciclo completo e sim unidades de produção  de leitões e unidades de terminação.”

 

3 – Como lidar com os dejetos

Os próprios profissionais dos órgãos fiscalizadores são responsáveis pelas orientações técnicas em relação ao manejo dos desejos dos suínos.O escopo do projeto vai depender das condições da propriedade, do volume de produção e do uso final dos resíduos”, afirma Figueiredo. “Biodigestores são necessários se o produtor estiver interessado na produção de biogás a partir dos dejetos suínos, mas nem sempre é necessário.”

 

4 – As melhores raças para começar

Na produção em ciclo completo independente, o próprio produtor escolhe a raça.”Normalmente, ele compra leitoas F1 Landrace-Large White e compra sêmen de cachaços terminadores na central de sêmen”, diz o pesquisador da Embrapa Aves e Suínos.

 

Já na produção em ciclo completo integrado, o produtor não tem o poder de escolha. “A integradora escolhe conforme o tipo de contrato fornece as leitoas”, afirma. Na produção de leitões-UPL (Unidade de Produção de Leitões) independente, o produtor escolhe a raça e, geralmente, opta por leitoas F1 Landrace-Large White e também compra sêmen de cachaços terminadores na central de sêmen. Enquanto na produção de leitões-UPL integrado acontece o mesmo que na produção em ciclo completo integrado e o produtor atende as exigências do contrato.

 

Na atividade de creche independente, o produtor adquire leitões desmamados de UPL independentes, enquanto na atividade de creche integrado, o suinocultor não escolhe a raça. “A integradora entrega os leitões desmamados com 7,5 quilo para cria até 23 quilos de peso vivo”, conta Figueiredo. Já na atividade de crescimento e terminação independente, o produtor adquire leitões de crecheiros independentes e na atividade de crescimento e terminação integrado/parceria, a integradora entrega os leitões com 23 quilos para cria e engorda até 120 quilos de peso vivo.

 

Segundo o pesquisador, em todos os casos citados acima existe melhoramento genético. “O custo de uma leitoa para reprodução equivale a 250 quilos de suínos ao preço do dia e o custo do cachaço para monta natural equivale a 500 quilos de suínos ao preço do dia.”

 

5 – Saiba qual é o tamanho das instalações

Segundo o pesquisador da Embrapa Aves e Suínos, para cada fase (gestação, maternidade, creche e terminação) a instalação pode mudar, a depender do tamanho dos animais. Porém, em média, o ideal é de 1 a 1,20 metros por animal de 100 quilos.

 

6 – Vale a pena investir em automação?

A automação das granjas de suínos tem se tornado cada vez mais frequente nas granjas. Segundo Figueiredo, o primeiro item a ser automatizado é a coleta e tratamento dos dejetos. O segundo é a fabricação e distribuição da ração e o terceiro é o fechamento das cortinas, ventilação e nebulização.

 

“Todos esses itens já estão sendo objeto do projeto inicial nas granjas novas e modernas”, conta o pesquisador. “É vantajoso financeiramente e, normalmente, o produtor consegue financiamento bancário com a orientação das empresas integradoras e cooperativas.” Ele ainda diz que é possível encontrar projetos com instalações automatizadas que variam de R$ 4 mil a R$ 6 mil por porca alojada, com alternativas de pagamento em até 12 anos.

 

Confira estimativas de investimento em instalações e equipamentos, de acordo com cálculos do analista Ari Jarbas Sandi, da Embrapa Aves e Suínos. Os valores da tabela estão em real por cabeça alojada e são referentes às pesquisas realizadas entre os meses de agosto e novembro 2015.

 

Valor médio em Santa Catarina (R$/cabeça alojada)

 

     UPD       CRE     UPL         UT      CC
Preço de instalações   1.918,16      167,83   2.326,19 388,38   2.830,24
Preço de Equipamentos   1.186,70      116,12   1.228,59 82,90   1.646,55
Total   3.104,86      283,95   3.554,78      471,28   4.476,79
 

 

         
Valor médio no Rio Grande do Sul (R$/cabeça alojada)

 

    UPD       CRE      UPL         UT       CC
Preço de instalações  1.918,16      124,21   1.632,60 328,31   2.076,58
Preço de Equipamentos   1.186,70      125,94   1.596,29 115,47   2.046,82
Total   3.104,86      250,15   3.228,89      443,78   4.123,40

 

UPD – matrizes para produção de leitão desmamado (28 dias).
UPL – matrizes para a produção de suínos com 63 dias de idade.
CRE – creche, a partir de 7,5 quilos até 23 quilos.
UT – suínos para a terminação, com peso inicial de 23 quilos e final de 110 quilos.
CC – matrizes para a produção de suínos do desmame ao abate.

 


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